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    Home»ÚLTIMAS NOTÍCIAS»Vorcaro diz à PF que Banco Master enfrentava crise de liquidez e usava o FGC como base do negócio
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    Vorcaro diz à PF que Banco Master enfrentava crise de liquidez e usava o FGC como base do negócio


    O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que a instituição enfrentava problemas de liquidez e utilizava o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como pilar central de seu modelo de negócios. O conteúdo consta na transcrição do depoimento prestado em dezembro à delegada responsável pelo caso, à qual o blog teve acesso.

    Segundo Vorcaro, a crise de liquidez — quando uma instituição não consegue honrar compromissos por falta de recursos em caixa — era pontual, e não estrutural. Ele declarou que o banco cumpriu todas as suas obrigações até o dia 17 de novembro, véspera da decretação da liquidação pelo Banco Central (BC).

    Ao anunciar a liquidação do Master, no entanto, o BC apontou justamente a insuficiência de liquidez, além de graves violações às normas do sistema financeiro nacional.

    No depoimento, Vorcaro atribuiu os problemas do banco a mudanças nas regras do FGC, que, segundo ele, teriam sido influenciadas por pressão de outras instituições financeiras. Ele não detalhou quais alterações específicas teriam provocado o impacto. O empresário afirmou ainda que o modelo de negócios do Master era integralmente baseado no FGC e que isso estaria dentro das regras vigentes à época.

    De acordo com Vorcaro, as mudanças regulatórias forçaram o banco a buscar novas formas de captação no mercado, momento em que a instituição teria se tornado alvo de uma campanha para desgastar sua reputação.

    Crise e liquidação

    Embora o Banco Central tenha decretado a liquidação do Master em novembro, os primeiros sinais de instabilidade surgiram em março, quando houve uma tentativa frustrada de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).

    Em agosto, o Conselho Monetário Nacional (CMN) realizou uma reunião extraordinária e aprovou novas normas para reforçar a segurança do sistema financeiro. No mercado, as medidas foram interpretadas como uma resposta às práticas agressivas do Master para captar recursos. Entre as mudanças estão:

    • Dobro da contribuição extra ao FGC para bancos considerados mais arriscados, passando de 0,01% para 0,02% sobre os depósitos garantidos;
    • Antecipação do gatilho de cobrança, que passou de 75% para 60% do limite de depósitos cobertos pelo fundo;
    • Obrigatoriedade de maior alocação em títulos públicos federais quando os recursos captados ultrapassarem dez vezes o patrimônio líquido da instituição.

    Estratégia agressiva de captação

    O Banco Master ficou conhecido por oferecer CDBs com rendimentos muito acima da média do mercado. Enquanto bancos médios considerados sólidos costumam pagar entre 110% e 120% do CDI, o Master oferecia taxas significativamente superiores.

    Especialistas do mercado financeiro avaliam que esse tipo de “supertaxa” costuma indicar dificuldade de acesso a fontes mais baratas de financiamento. Além disso, grande parte dos recursos do banco estava aplicada em ativos de baixa liquidez, como carteiras de crédito estruturadas e precatórios, o que dificultava a geração rápida de caixa para honrar compromissos.

    No depoimento, Vorcaro afirmou que o banco chegou a originar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por mês, mas reduziu o volume para tentar preservar liquidez, especialmente após uma comunicação do Banco Central feita em novembro de 2024.

    Ele explicou que o modelo de negócios do Master evoluiu para uma forte dependência da cessão de ativos e do suporte do FGC, com foco em crédito consignado, emissão de cédulas de crédito bancário (CCBs) e uso de originadores terceirizados.

    Vorcaro declarou ainda ter aportado cerca de R$ 6 bilhões de recursos próprios para sustentar o banco durante a crise.

    Ressarcimento aos investidores

    O Fundo Garantidor de Créditos, associação privada sem fins lucrativos que integra o Sistema Financeiro Nacional, iniciou no dia 19 o ressarcimento de investidores e correntistas do Banco Master. O limite é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

    Até a noite de segunda-feira (19), cerca de 600 mil credores já haviam solicitado o reembolso. O pagamento aos investidores do Master deve alcançar R$ 41 bilhões, tornando-se o maior desembolso da história do FGC.


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