Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro comemorou a apresentação de uma emenda do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que poderia beneficiar bancos médios, entre eles o Banco Master. Nas conversas, Vorcaro também se refere ao parlamentar como “grande amigo”.
Em diálogo com a então noiva, Martha Graeff, o banqueiro explicou quem era o senador. “É um senador. Muito amigo meu”, escreveu. Em seguida, acrescentou: “Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”.
Nas mensagens, Vorcaro comenta a apresentação de um projeto que aumentaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo ele, a proposta poderia provocar impacto no sistema financeiro.
“Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui o poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu.
A ex-noiva respondeu demonstrando surpresa com a informação. Na sequência, Vorcaro afirmou que vinha recebendo ligações após a divulgação da proposta. “Todo mundo me ligando. Sentiram o golpe”, disse.
A emenda mencionada nas mensagens previa aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto, no entanto, não foi incluído na versão final aprovada pelo Congresso Nacional.
As conversas analisadas pela Polícia Federal fazem parte de documentos que também estão sendo avaliados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
Por meio de sua assessoria, Ciro Nogueira afirmou que dialoga com diversas pessoas e que isso não significa proximidade pessoal. O senador também negou qualquer conduta irregular relacionada ao caso.
Daniel Vorcaro voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A prisão preventiva foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação apura supostas irregularidades na gestão do Banco Master, em um esquema que teria provocado um rombo estimado em quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro. O banqueiro é investigado por crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas. A defesa nega as acusações.

