No contexto do julgamento dos Estados Unidos contra o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro, acusado de ligações com o narcotráfico, o vice-governador em exercício de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), repetiu a alegação de que o Partido dos Trabalhadores (PT) seria “narcoafetivo”. A declaração gerou reação do partido, que anunciou medidas legais.
O vice-governador, integrante da gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), associou o PT a cinco situações que, em sua visão, ligariam a legenda ao crime organizado. A assessoria nacional do PT classificou as afirmações como “tentativa deliberada de manipulação da opinião pública por meio de notícias falsas”.
“Mentiras, fake news e tentativa de manipulação da opinião pública são expedientes que a direita brasileira tenta normalizar, mas são inaceitáveis. Quanto mais vindas de uma autoridade eleita”, afirmou o secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares.
Os cinco pontos citados por Ramuth
- Voto contra o “PL Antifacção”: Ramuth citou a oposição de parlamentares petistas a um projeto de lei que tratava do combate a facções criminosas. Entre as justificativas petistas estavam a existência de proposta similar em tramitação e a preocupação com a equiparação de facções a grupos terroristas, o que, segundo críticos, poderia abrir precedente para intervenção estrangeira.
- Posição sobre “saidinha” de presos: O governador em exercício afirmou que o PT “promove e defende a saidinha de presos”. Em 2024, o presidente Lula vetou um projeto que acabava com o benefício, mas o veto foi derrubado pelo Congresso.
- Fala de Lula sobre traficantes: Ramuth mencionou uma declaração pública do presidente Lula, feita na Indonésia em outubro, na qual ele comentou a guerra às drogas: “Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”.
- Acesso a áreas controladas por facções: O político reiterou uma crítica feita durante as eleições de 2022, de que o PT “acessa livremente locais do Brasil que nem a polícia tem acesso”, citando uma visita de Lula ao Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
- Evento na Favela do Moinho: Ramuth se referiu a uma agenda do governo federal na Favela do Moinho, em São Paulo, em junho do ano passado, afirmando que ministros e o presidente “dividiram palanque com o crime organizado”. No evento, Lula dividiu o palanque com três lideranças comunitárias, uma das quais foi presa posteriormente em uma operação contra o crime organizado.
Contexto da declaração
A primeira vez que Ramuth usou o termo “narcoafetivo” em relação ao PT foi na segunda-feira (5), dois dias após a ação militar norte-americana na Venezuela que resultou na detenção de Maduro. Em evento público, ao comentar sobre um possível fluxo de imigrantes venezuelanos, ele afirmou: “Lamentavelmente, o partido que está no poder aqui no Brasil é um partido narcoafetivo. Assim como a gente tinha o regime na Venezuela narcodependente”.
No dia seguinte, o PT informou, em nota, que ingressaria com uma ação judicial contra o vice-governador. Posteriormente, Ramuth listou publicamente as cinco motivações para ter usado o termo.

