O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, um dos principais nomes do chavismo, declarou nesta quinta-feira (8) que um “número significativo” de presos, tanto venezuelanos quanto estrangeiros, será libertado nas próximas horas. As informações foram divulgadas por ele à imprensa.
Rodríguez descreveu as solturas como um “gesto de paz” e enfatizou que a decisão foi unilateral, não decorrendo de qualquer acordo com outras partes. “O governo bolivariano, juntamente com as instituições estatais, decidiu libertar um número significativo de venezuelanos e estrangeiros, e esses processos de libertação estão ocorrendo neste exato momento”, afirmou.
O parlamentar é irmão da presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos no último sábado (3).
Em seu pronunciamento, Rodríguez agradeceu aos esforços do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e do governo do Catar, “que sempre estiveram ao lado do povo da Venezuela para defender o direito que temos à vida plena e à autodeterminação”. Não houve esclarecimento se as negociações para as libertações envolveram diretamente Lula, o governo brasileiro ou outros atores mencionados.
Sobre a repressão
Desde a operação militar norte-americana que resultou na prisão de Nicolás Maduro, o regime venezuelano intensificou medidas de controle interno, com relatos de interrogatórios em postos de bloqueio e detenção de jornalistas, conforme publicado pelo jornal The New York Times.
Na última segunda-feira, o governo emitiu uma ordem de “busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”. Com um decreto de estado de emergência em vigor, venezuelanos têm relatado maior presença de policiais e agentes de segurança nas ruas, incluindo os chamados “colectivos”, milícias armadas que realizam patrulhas.
Além disso, postos de controle foram estabelecidos em diversos pontos do país, onde veículos são parados e seus ocupantes são questionados. Organizações de direitos humanos afirmam que os agentes verificam telefones em busca de conteúdo considerado opositor a Maduro ou ao chavismo.

