O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou não se sentir mais obrigado a pautar suas decisões exclusivamente pela busca da paz e atribuiu essa mudança de postura à Noruega. A declaração consta em uma carta enviada ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, obtida nesta segunda-feira (19) pela agência Reuters.
Segundo Trump, o posicionamento está relacionado ao fato de ele não ter sido contemplado com o Prêmio Nobel da Paz em 2025. A premiação foi concedida à líder opositora venezuelana María Corina Machado, que, na semana passada, entregou simbolicamente sua medalha ao presidente norte-americano durante um encontro na Casa Branca.
“Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter interrompido mais de oito guerras, já não me sinto obrigado a pensar exclusivamente na paz — embora ela continue sendo predominante — e agora posso refletir sobre o que é bom e adequado para os Estados Unidos da América”, escreveu Trump na carta.
Na sequência, o presidente voltou a atacar a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia, retomando o argumento de que o território estaria ameaçado pela presença da Rússia e da China. Trump também reiterou declarações controversas, ao questionar a existência de documentos históricos que comprovem o vínculo entre a Dinamarca e a Groenlândia.
A ofensiva do presidente norte-americano em relação à ilha, que é um território semiautônomo dinamarquês, provocou uma escalada inédita de tensões com países europeus e com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em resposta, nações europeias enviaram tropas para a região e passaram a discutir medidas comerciais de retaliação às tarifas de 10% impostas pelos Estados Unidos.
“A Dinamarca não é capaz de proteger aquela terra da Rússia ou da China. Afinal, por que eles teriam um direito de propriedade? Não há documentos escritos, apenas o fato de um barco ter chegado lá há centenas de anos — e nós também tivemos barcos que chegaram lá”, afirmou Trump, acrescentando que já fez mais pela Otan do que qualquer outro líder desde a criação da aliança. “O mundo não estará seguro sem controle total da Groenlândia”, completou.
Ainda nesta segunda-feira, Trump voltou a defender publicamente, em suas redes sociais, a incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos e afirmou que “agora é a hora” de avançar com essa proposta.

