O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom em relação ao Brasil durante entrevista ao site Axios. Em declarações recentes, o republicano classificou o presidente Lula como uma pessoa muito volátil e afirmou não possuir proximidade com o líder brasileiro. Segundo Trump, ele não mantém grandes preocupações com o governo brasileiro, mas descreveu o país como um lugar que se tornou conturbado e perigoso politicamente.
As falas ocorreram logo após a participação de ambos na cúpula do G7, realizada em Evian, na França. Durante coletiva de imprensa, Trump evitou detalhar o conteúdo das conversas mantidas com Lula e aproveitou para tecer comentários sobre a situação interna do Brasil. O norte-americano chegou a mencionar, de forma equivocada, a prisão de um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, confundindo nomes e processos judiciais em curso no país, o que gerou questionamentos sobre o real entendimento do líder americano quanto aos fatos brasileiros.
Lula reagiu prontamente às declarações, classificando as falas de Trump como uma interferência indevida em assuntos soberanos do Brasil. O presidente brasileiro destacou que o norte-americano não conhece a realidade nacional e criticou a postura de tentar opinar sobre o processo eleitoral do país. O petista defendeu a lisura das eleições brasileiras, sugerindo que os Estados Unidos poderiam adotar o modelo do Brasil por considerá-lo mais tranquilo e organizado.
Para Lula, a visão de Trump sobre o Brasil é limitada pela proximidade que o republicano mantém com a família Bolsonaro. O presidente brasileiro enfatizou que, embora respeite as preferências políticas do colega americano, não aceitará ingerências externas em questões que dizem respeito apenas ao povo brasileiro e à sua democracia. O episódio acentua a tensão diplomática entre os dois governos, marcando um novo capítulo de desencontros na política externa entre Brasil e Estados Unidos.

