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    Tornozeleira de Silvinei Vasques é encontrada no Paraguai após tentativa de fuga

    2025-12-29T16:10:09-03:000000000931202612

    A polícia do Paraguai informou que a tornozeleira eletrônica utilizada pelo ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi localizada na madrugada desta segunda-feira (29) na rodoviária de Cidade do Leste, na fronteira com o Brasil. O equipamento foi identificado após cooperação entre autoridades paraguaias e brasileiras.

    De acordo com a polícia paraguaia, o dispositivo foi encontrado por agentes da 3ª Delegacia do bairro Obrero. Após a localização, o caso foi comunicado ao Comando Tripartite, responsável por ações integradas de segurança na região de fronteira.

    A tornozeleira, homologada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e registrada em nome de uma empresa brasileira de tecnologia, foi encaminhada às autoridades brasileiras para os procedimentos legais. Até a última atualização desta reportagem, a Polícia Federal ainda não havia recebido o equipamento para realização de perícia.

    Silvinei Vasques foi preso no dia 26 de dezembro no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, capital do Paraguai. Ele foi expulso do país por não declarar sua entrada e por possuir mandado de prisão em aberto no Brasil.

    Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 24 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Vasques é acusado de atuar no monitoramento de autoridades e de dificultar a votação de eleitores, principalmente na região Nordeste, durante o segundo turno das eleições de 2022.

    Segundo as investigações, ao tentar fugir do Brasil, o ex-diretor da PRF rompeu a tornozeleira eletrônica e seguiu para o Paraguai, onde foi detido ao tentar embarcar para El Salvador utilizando documentos falsos. Ele se apresentou às autoridades com a identidade falsa de “Julio Eduardo” e chegou a entregar uma declaração afirmando que tinha câncer na cabeça e que não conseguia falar.

    O ministro do STF Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de Silvinei após a confirmação da fraude. O diretor de Migrações do Paraguai, Jorge Kronawetter, informou que, após a comparação de fotografias, numeração e impressões digitais, foi constatado que o homem detido não correspondia à identidade apresentada. Durante a abordagem, Silvinei acabou confessando que os documentos não eram dele.

    Fuga começou na véspera de Natal

    Em informações enviadas ao ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal relatou que Silvinei Vasques deixou sua residência na noite de quarta-feira (24), véspera de Natal, antes de a tornozeleira eletrônica apresentar falhas no funcionamento.

    Imagens obtidas pela PF mostram que ele saiu do condomínio onde mora, em São José (SC), por volta das 19h22 daquele dia. Minutos antes, carregou um veículo alugado com sacolas, ração e tapetes higiênicos para animais, além de embarcar com um cachorro da raça pitbull. Após esse momento, ele não foi mais visto.

    No dia seguinte, equipes da Polícia Penal de Santa Catarina e da Polícia Federal foram até o local, após o registro dos primeiros problemas no sinal da tornozeleira, mas não localizaram o ex-diretor da PRF. Segundo relatório enviado ao STF, o apartamento estava vazio e a vaga de garagem desocupada.

    A Polícia Federal informou ao Supremo que ainda não era possível determinar com precisão os motivos da violação do equipamento eletrônico, nem confirmar se a tornozeleira havia sido deixada no apartamento.

    Ao analisar o caso, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que os elementos reunidos indicam tentativa de fuga para descumprir ordens judiciais. Na decisão, destacou que Silvinei violou a medida cautelar de recolhimento domiciliar noturno, utilizou veículo alugado e deixou o imóvel levando seu animal de estimação e itens de transporte, o que reforçou a decretação da prisão preventiva.

    Atuação na PRF e condenações

    Silvinei Vasques foi condenado neste mês pelo STF a 24 anos e 6 meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo a Corte, ele integrou o chamado “núcleo 2” da organização criminosa e atuou para interferir no processo eleitoral por meio de operações da PRF.

    Antes disso, Vasques já havia sido condenado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro por uso político da estrutura da PRF durante a campanha eleitoral, em ação movida pelo Ministério Público Federal. A decisão apontou o uso indevido de símbolos, recursos e da visibilidade institucional da corporação para promover a candidatura do então presidente Jair Bolsonaro, resultando em multa superior a R$ 500 mil, além de outras sanções cíveis.

    Preso em 2023, Silvinei chegou a ser solto posteriormente mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica — equipamento que foi rompido durante a tentativa de fuga do país.


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