O tenente Ian Lopes de Lima, que acumulou sete mortes de suspeitos em seu primeiro ano de atuação como oficial da Polícia Militar de São Paulo, retornou oficialmente ao policiamento ostensivo. O oficial, que havia sido afastado para o setor administrativo em junho de 2025 devido à alta letalidade de suas ocorrências, agora integra as Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), o grupo de elite do Batalhão de Choque. A volta foi celebrada por apoiadores em redes sociais, que destacaram a conquista do braçal da unidade, símbolo de prestígio dentro da corporação paulista.
Durante o período em que esteve fora das ruas, entre julho e dezembro de 2025, o oficial passou por um programa institucional de acompanhamento e recapacitação profissional. No entanto, o retorno ocorre sob o peso de investigações ainda não concluídas. De acordo com a Polícia Militar e o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), ao menos quatro inquéritos policiais militares envolvendo mortes provocadas em ações com a participação de Ian Lopes seguem em curso, nos quais ele figura como investigado. A defesa do tenente sustenta que todas as ações foram em legítima defesa e no estrito cumprimento do dever legal.
Análises de ocorrências passadas revelam um padrão de elevado volume de disparos e uso de armamento pesado. Em um dos episódios, uma equipe que incluía o oficial efetuou 31 disparos, incluindo tiros de fuzil 7.62, contra suspeitos que portavam revólveres de baixa capacidade. A promoção e o reingresso de Ian ao serviço operacional geram debates sobre a letalidade policial e os critérios de progressão na carreira para oficiais envolvidos em confrontos fatais recorrentes. O Comando da PM afirma que o retorno foi por conveniência do serviço e que as normas internas foram rigorosamente seguidas.

