O relatório da investigação que resultou na prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra revelou movimentações financeiras diretas e indiretas entre ela e pessoas da alta cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). O documento da Polícia Civil de São Paulo aponta transações bancárias entre Deolane e Francisca Alves da Silva, esposa de Alejandro Camacho Junior, irmão do líder máximo da facção, Marcola. Francisca possui histórico criminal por organização criminosa, corrupção ativa e lavagem de capitais.
No relatório, Deolane é classificada pelos investigadores como integrante do PCC, desempenhando função de destaque na ocultação e redistribuição de valores ilícitos da organização. A polícia chegou ao nome da influenciadora por meio de Everton de Souza, o Player, identificado como operador financeiro responsável pela gestão de bens e destinação de fluxos financeiros para os líderes da facção. O elo entre Everton e Deolane foi considerado imprescindível para comprovar o esquema de lavagem de dinheiro.
De acordo com as investigações, Everton utilizava uma empresa de fachada para orientar depósitos na conta de Deolane como parte do balancete mensal da facção. Foram identificadas 34 transações com intermediários idênticos, sugerindo uma rede de repasses triangulados para fragmentar a trilha do dinheiro. Ambos compartilhavam o mesmo contador para constituir empresas espelho em endereços residenciais sem atividade real. A polícia também identificou que Deolane atuava como representante legal de Everton em registros policiais e mantinha uma relação de amizade íntima com o operador.

