Com a ofensiva da direita já mirando as eleições de 2026, especialmente no Senado, lideranças do PT intensificam discussões sobre uma possível candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a uma das duas vagas por São Paulo na Casa Alta. O nome de Haddad, com forte recall eleitoral no estado, é visto como estratégico para impedir que as duas cadeiras fiquem com nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ex-prefeito da capital paulista e candidato ao governo do estado em 2022, quando enfrentou Tarcísio de Freitas (Republicanos) no segundo turno, Haddad é considerado um dos quadros mais competitivos do PT em São Paulo. Internamente, o partido acredita que sua presença na disputa poderia impulsionar o desempenho da legenda também na eleição para a Câmara dos Deputados.
Segundo interlocutores próximos ao presidente Lula, há crescente preocupação com a possibilidade de o Senado se tornar um reduto bolsonarista. Isso daria ao ex-presidente grande poder de pressão sobre instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF), com possibilidade de abertura de processos contra ministros da Corte. “Se me derem 50% da Câmara e 50% do Senado, eu mudo o destino do Brasil, nem preciso ser presidente”, declarou Bolsonaro em ato na Avenida Paulista no último domingo (29).
Diante desse cenário, duas estratégias são debatidas dentro do PT. A primeira seria lançar Haddad ao governo de São Paulo e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ao Senado. A composição agrada a parte significativa do partido, que vê nessa chapa força para garantir um palanque robusto a Lula no segundo turno e impulsionar candidaturas proporcionais.
A segunda alternativa é manter Haddad como candidato ao Senado e apoiar o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), para o governo estadual. Embora viável, esse arranjo é visto com mais cautela, já que França teria menor potencial de atrair votos e poderia comprometer a construção de uma base forte para Lula em São Paulo.
Do lado bolsonarista, os nomes mais cotados para a disputa do Senado são o do secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente e atualmente nos Estados Unidos. Também figuram como possíveis candidatos o ex-ministro Ricardo Salles (Novo) e o deputado Marco Feliciano (PL).
As articulações devem ganhar força nos próximos dias, especialmente após a realização do Processo de Eleição Direta (PED) do PT, marcado para este fim de semana, que definirá os novos presidentes dos diretórios municipais e estaduais da sigla.

