A Justiça decidiu manter a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, negou o pedido de liberdade apresentado pela defesa e enfatizou que a interrupção das “ações criminosas” é necessária, destacando que soltar o investigado representaria “risco concreto”. Vorcaro foi preso na segunda-feira, durante uma operação da Polícia Federal.
Segundo a PF, as investigações apontam que o BRB realizou operações consideradas irregulares com o Master, numa tentativa de dar fôlego financeiro ao banco enquanto o Banco Central avaliava a proposta de compra apresentada pelo BRB. Em março, o negócio acabou vetado pelo BC. Como alternativa para conseguir recursos, o Master vendeu carteiras de crédito ao BRB, mas, para as autoridades, a transação funcionou como uma manobra para driblar a fiscalização.
Conforme o Ministério Público Federal, o Master teria adquirido carteiras de crédito de uma empresa controlada por um ex-funcionário sem realizar pagamento e, logo depois, revendido os títulos ao BRB, recebendo R$ 12,2 bilhões de janeiro a maio de 2025. A justificativa apresentada ao BC foi de que os créditos vinham de duas associações de servidores da Bahia, mas auditorias revelaram inconsistências que indicavam a inexistência real das operações.
A partir das suspeitas, o Banco Central realizou análises aprofundadas de amostras de contratos e concluiu que havia fortes indícios de “insubsistência” — ausência de lastro ou comprovação das transações. Os títulos passaram, então, a ser vinculados à empresa Tirreno, criada no fim de 2024, que rapidamente ampliou capital e alterou sua estrutura societária. Para os investigadores, trata-se de uma empresa de fachada usada para viabilizar o esquema financeiro.
O Ministério Público também identificou falhas formais, como contratos não autenticados em cartório e documentos registrados apenas meses após a operação. Diante das irregularidades, o BC passou a exigir novas comprovações, reforçando as suspeitas. O BRB afirmou, em nota, que seguiu todas as normas de compliance e colaborou com as autoridades. O presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, foi afastado. Já a defesa de Vorcaro classificou a prisão como ilegal e alegou que o banqueiro estava a caminho dos Emirados Árabes Unidos para concluir a venda do Master a um grupo de investidores.
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