A unidade processou 1,9 milhão de toneladas de cana na safra 2025/2026, tornando-se a maior produtora de biocombustível da região
Por Blog de Edivaldo Junior | 20/04/2026
A Usina Porto Rico encerrou a safra 2025/2026 com um feito inédito: tornou-se a maior produtora de etanol do Nordeste brasileiro. Localizada em Campo Alegre, no interior de Alagoas, a unidade concluiu suas operações no último sábado, 18 de abril, às 20h, consolidando um ciclo marcado por investimentos, tecnologia e resultados expressivos.
Números que impressionam
Ao longo da safra, a usina processou 1.900.237 toneladas de cana-de-açúcar — volume 65 mil toneladas abaixo da capacidade total, em razão do calendário operacional. Ainda assim, o resultado superou levemente a safra anterior, de 1,91 milhão de toneladas, mesmo com o início tardio da moagem, que só começou em setembro.
No campo do etanol, o desempenho foi ainda mais expressivo: foram produzidos cerca de 66 milhões de litros do biocombustível, um recorde absoluto na história da empresa. Com isso, a Porto Rico ultrapassou a Coruripe, tradicional líder regional, que produzia cerca de 63,1 milhões de litros.
Estratégia e mercado
O diretor da usina, Carlos Monteiro, atribui o desempenho à aposta estratégica no etanol. “Olhamos para a chave do mercado. Com o açúcar a 14 centavos de dólar por libra-peso, o etanol equivale a cerca de 17 centavos. A remuneração é melhor, então ampliamos a produção”, explica.
A unidade adotou um mix equilibrado, com metade da cana destinada ao açúcar e metade ao etanol. Apesar da safra prolongada — iniciada no fim de 2025 e encerrada em 2026 —, a produtividade média se manteve em 76 toneladas por hectare. Segundo Monteiro, isso foi possível graças aos investimentos em irrigação. “Mesmo diante das dificuldades climáticas, conseguimos esse resultado”, afirma.
Tecnologia no campo
Outro pilar do desempenho foi o avanço tecnológico. Cerca de 80% dos canaviais da Porto Rico já contam com algum sistema de irrigação — pivôs ou gotejamento. O gerente agrícola, Luiz Eugênio, destaca o impacto direto na produtividade: “No gotejamento, nossa média chega a 140 toneladas por hectare. Em áreas com vinhaça enriquecida, água residuária ou pivô, conseguimos até 100 toneladas por hectare.”
A usina também investe na adoção de novas variedades de cana. “Trabalhamos com diferentes materiais do tipo RB, buscando os mais responsivos para nossas condições. Os resultados têm melhorado de forma consistente”, diz Luiz Eugênio.
Calendário desafiador
A safra foi marcada por um fator extra de dificuldade: o início tardio da moagem, puxado para o fim de setembro em função de ajustes industriais. “Iniciamos tarde por conta de investimentos na unidade. Isso alongou a safra e ainda nos obrigou a ceder parte da cana para outra usina”, explica o diretor.
O ideal, segundo Monteiro, seria encerrar a moagem até março, antes do período de chuvas intensas na região — o que não foi possível neste ciclo.

