O Boletim da População Negra, divulgado nessa quarta-feira (19) pela Sudene em alusão ao Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, apresenta dados inéditos sobre a participação da população preta e parda no Nordeste nos setores de trabalho, educação e política. O levantamento evidencia avanços na inserção da população negra na economia formal, mas também revela desigualdades persistentes, com destaque para Alagoas.
Na Região Nordeste, 71,9% dos trabalhadores formais são pretos ou pardos, percentual acima da média nacional de 47,7%. Apesar da forte presença no mercado de trabalho, a renda média dessa população recuou em 2023, sendo Alagoas um dos Estados mais afetados, registrando uma queda de 1,8 ponto percentual. Para Gabriela Nascimento, doutora em estatística da Sudene, os dados evidenciam desigualdades estruturais que desmentem o mito da democracia racial.
Em termos de educação, o boletim aponta avanços históricos, mas desigualdades persistem. Apenas 11,6% dos pretos e pardos do Nordeste concluíram o ensino superior, enquanto entre os brancos o índice chega a 22,3%. Alagoas segue a tendência regional, com 11,2% da população negra sem qualquer instrução formal, embora tenha havido um crescimento expressivo em duas décadas na proporção de negros com diploma universitário.
A violência contra a população negra segue como preocupação no Nordeste. Enquanto os homicídios de negros caíram 10,1% no Brasil, a região registrou aumento de 0,9%, com destaque para Alagoas. Entre mulheres negras, houve crescimento de 6,5% nos assassinatos, concentrando quase metade dos casos em todo o país. Gabriela Nascimento ressalta que fatores como vulnerabilidade à violência e falta de saneamento básico são gargalos estruturais na região.
Na política, as eleições municipais de 2024 mostraram avanço na representatividade: 51,7% dos prefeitos eleitos no Nordeste foram pretos ou pardos. O boletim também evidencia o crescimento da participação de quilombolas e indígenas, especialmente entre vereadores eleitos, mas ainda há desafios para que mulheres negras e outras minorias alcancem cargos de comando. A Sudene destaca que a inclusão de quilombolas no Censo Demográfico, a partir de 2022, é crucial para políticas públicas mais precisas, com impacto direto em Estados como Alagoas.

