O inquérito que apura a morte da soldado Gisele Alves Santana trouxe à tona relatos chocantes de colegas de farda sobre o comportamento possessivo do tenente coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Testemunhas afirmaram à Polícia Civil que a vítima se sentia sufocada e controlada pelo marido, que demonstrava ciúmes excessivos. Em conversas dias antes de morrer, Gisele teria chegado a questionar uma amiga se acreditava que o oficial teria coragem de matá-la, revelando o clima de medo que vivia em sua residência.
De acordo com os depoimentos, a soldado detalhou o comportamento abusivo do oficial, mencionando que iria para o tudo ou nada caso algo acontecesse, afirmando que ou ele a mataria, ou ela o mataria para se proteger. O tenente coronel está preso desde a última quarta feira (18), apontado como o principal suspeito do crime ocorrido em 18 de fevereiro. Embora ele sustente a versão de que a esposa cometeu suicídio, as investigações da Polícia Civil contestam essa tese com base nas evidências colhidas e nos relatos de abuso sistemático.
As testemunhas também revelaram estratégias de vigilância adotadas pelo oficial, que se escalava no mesmo horário de trabalho da esposa para monitorá-la, colocando-a como auxiliar em sua própria viatura. Nos dias em que apenas a soldado era escalada, ele chegava a pagar para que ela não trabalhasse, mantendo-a sob seu controle visual. Gisele também havia relatado preocupação com a filha de 7 anos, que passou a apresentar perda de peso e episódios de enurese noturna após começar a conviver com o oficial.
A investigação agora foca na análise pericial para confrontar a versão do suspeito com os depoimentos que descrevem um ciclo de violência doméstica e controle psicológico. O caso gerou revolta na corporação, expondo a vulnerabilidade de mulheres policiais mesmo diante de seus agressores. O tenente coronel permanece sob custódia enquanto a Justiça avalia a manutenção de sua prisão preventiva diante da gravidade dos novos fatos revelados pelas testemunhas.

