Uma funcionária do condomínio onde moravam o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a policial Gisele Alves Santana relatou à Polícia Civil que vizinhos demonstravam receio em relação ao comportamento do oficial.
Segundo a testemunha, que trabalha no local há seis meses, moradores consideravam o tenente uma pessoa de postura fechada e até soberba. Ela também afirmou que ele era reservado e mantinha uma conduta rígida com os funcionários do condomínio.
Outros vizinhos ouvidos pela polícia reforçaram essa percepção, relatando que o oficial não costumava responder aos cumprimentos nas áreas comuns. Uma moradora contou que encontrou o casal e a filha no elevador, ocasião em que Gisele permaneceu de cabeça baixa durante todo o trajeto. Ao chegarem ao andar, enquanto a policial tentava abrir a porta, o tenente teria se apressado em escondê-la, o que, segundo a testemunha, indicava comportamento possessivo.
A mesma vizinha afirmou que nunca viu Gisele desacompanhada e que o marido estava presente na maior parte das vezes, informação confirmada por outros moradores. Ela também disse ter ouvido um estampido por volta das 7h28 no dia do crime e relatou que o tenente costumava acompanhar a esposa até na academia, mesmo sem estar vestido adequadamente para se exercitar.
Ainda em depoimento, a moradora afirmou nunca ter visto a policial maquiada. Familiares da vítima já haviam declarado que o tenente proibia o uso de batom e monitorava os lugares frequentados por ela. Discussões entre o casal, segundo relatos, eram frequentes e podiam ser ouvidas no condomínio.
Após a coleta de depoimentos e análise dos laudos periciais, o tenente-coronel foi preso na última quarta-feira como principal suspeito do assassinato. A investigação apontou contradições em sua versão, além da presença de sangue em objetos pessoais e no banheiro da residência, reforçando a hipótese de feminicídio.
Os exames realizados com o uso de Luminol identificaram vestígios de sangue na bermuda do policial e na toalha utilizada por ele após o banho no dia do crime. Também foram encontrados resíduos no box do banheiro, incluindo registros do chuveiro, paredes e chão.
De acordo com o delegado Lucas de Souza Lopes, do 8º Distrito Policial, a única explicação técnica compatível é que o investigado entrou no banheiro já com sangue e tentou lavá-lo antes da chegada de qualquer socorro, caracterizando tentativa deliberada de destruição de provas.
Em trechos do inquérito, o delegado afirma ainda que o banho teria sido tomado com o objetivo de eliminar vestígios da participação no crime. Para ele, os elementos reunidos indicam não apenas a autoria do feminicídio, mas também a prática de fraude processual.
Por fim, os resultados da perícia contradizem a versão apresentada pelo tenente-coronel, que alegava não ter tocado na esposa ao encontrá-la ferida, sustentando que não teria como estar com sangue em suas roupas ou objetos pessoais.

