O processo de encerramento definitivo das atividades de extração de sal-gema da Braskem, em Maceió, deve durar pelo menos mais 14 anos. A estimativa foi apresentada por técnicos da Agência Nacional de Mineração (ANM) durante uma reunião estratégica com o Ministério Público Federal (MPF), realizada nesta semana na capital alagoana. O encontro teve como foco o cronograma de descomissionamento das 35 frentes de lavra que provocaram o afundamento de cinco bairros e a maior tragédia urbana em curso no estado.
De acordo com os dados técnicos, o preenchimento das sete cavidades críticas localizadas fora da camada de sal tem previsão de conclusão para 2027. No entanto, o fechamento total de todas as áreas de exploração no Mutange e regiões adjacentes só deve ser finalizado em 2040. Mesmo após essa data, a ANM reforçou que o monitoramento permanente será obrigatório, utilizando tecnologias de satélite InSAR, sistemas microssísmicos e DGPS para garantir a estabilidade do solo. Representantes da agência realizaram visitas técnicas in loco para fiscalizar o andamento das intervenções que buscam mitigar os danos geológicos.
Um ponto de preocupação levantado pelos técnicos é a estrutura reduzida da ANM. Atualmente, apenas cinco servidores compõem a gerência responsável por demandas de todo o país, o que dificulta o acompanhamento exclusivo do caso Alagoas, que gera cerca de 80 relatórios mensais da Braskem. O órgão destacou a necessidade de pelo menos seis técnicos dedicados apenas ao estado para analisar o volume massivo de dados e o passivo nacional de minas. MPF e ANM acordaram intensificar o alinhamento institucional para garantir que o cronorno seja cumprido com rigor técnico e transparência para a sociedade.

