Uma articulação nos bastidores do PL busca utilizar a influência do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (RJ) para um movimento estratégico: convencer o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a migrar para a legenda visando o pleito de 2026. A filiação é tratada como prioridade máxima pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, que enfrenta a resistência cautelosa do governador paulista.
Lideranças do PL avaliam que Tarcísio na mesma sigla de Flávio consolidaria a força da direita no maior colégio eleitoral do país, facilitando a campanha presidencial. Há um receio técnico compartilhado por estrategistas: se o governador permanecer no Republicanos, uma parcela considerável de eleitores pode confundir os números na urna, digitando o 10 (número do Republicanos) em vez do 22 (número do PL) para o cargo de Presidente da República.
A preocupação com o alinhamento partidário estende-se também a Minas Gerais e Rio de Janeiro. O partido quer garantir palanques puros e candidatos próprios para evitar dispersão de votos. Em solo mineiro, o cenário é de indefinição; enquanto uma ala tentou atrair o senador Carlos Viana (Podemos), o parlamentar já sinalizou que não pretende mudar de sigla, deixando o caminho aberto para novas articulações do clã Bolsonaro.
Para Flávio Bolsonaro, a entrada de Tarcísio no PL não seria apenas um reforço partidário, mas a garantia de que o governo de São Paulo estaria integralmente empenhado em sua eventual candidatura ao Palácio do Planalto. O movimento deve ganhar tração nos próximos meses, à medida que os prazos de filiação para 2026 se aproximam.

