A Polícia Federal instaurou uma investigação para apurar possíveis crimes de prevaricação e descaminho envolvendo um auditor da Receita Federal e um voo que transportava a cúpula do Congresso Nacional. O incidente ocorreu na noite de 20 de abril de 2025, quando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) retornavam de uma viagem à ilha de São Martinho, no Caribe. Segundo a PF, cinco volumes trazidos pelo piloto da aeronave ingressaram no Brasil sem passar pela inspeção obrigatória de raio-x.
O voo foi realizado em um jato particular pertencente a Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, empresário do setor de apostas eletrônicas e citado em investigações sobre o jogo do tigrinho. Além de Motta e Nogueira, a lista de passageiros incluía os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e o alagoano Isnaldo Bulhões (MDB-AL), além do ex-vereador Victor Linhares, investigado por ligações entre o crime organizado e o setor de combustíveis. A natureza da viagem e a falta de fiscalização das bagagens levantaram suspeitas sobre o conteúdo transportado a partir de um território classificado como paraíso fiscal.
Em nota, o deputado Hugo Motta afirmou ter cumprido todos os protocolos da legislação aduaneira e disse que aguardará o posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR). O senador Ciro Nogueira não se manifestou. Devido à presença de parlamentares com foro privilegiado, o caso foi enviado ao Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes, relator da matéria, solicitou um parecer da PGR para decidir se a investigação deve permanecer sob a jurisdição da Suprema Corte ou ser enviada para instâncias inferiores.

