O consumo frequente de alimentos ultraprocessados por crianças e adolescentes no ambiente escolar tem gerado preocupação entre especialistas em saúde e nutrição. Produtos como refrigerantes, salgadinhos industrializados, doces e bebidas artificiais ainda fazem parte da rotina de muitos estudantes, apesar dos riscos associados à saúde.
A pesquisadora Leiko Asakura, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), afirma que diversos estudos apontam impactos negativos desses produtos no desenvolvimento infantil e juvenil.
Segundo ela, pesquisas indicam relação entre o consumo de refrigerantes e o aumento de casos de obesidade entre crianças e adolescentes. A docente também alerta que alimentos ricos em açúcar, gordura e sódio, como macarrão instantâneo, fast food e salgadinhos industrializados, podem contribuir para o surgimento de doenças crônicas.
De acordo com a pesquisadora, esses hábitos alimentares estão associados ao aumento de problemas como hipertensão e diabetes tipo 2.
Diante desse cenário, o Conselho Estadual de Alimentação Escolar de Alagoas publicou neste ano uma resolução que regulamenta a venda de alimentos nas cantinas escolares. A norma estabelece prioridade para itens mais saudáveis, como frutas, sucos naturais e iogurtes sem adição de açúcar.
A resolução também proíbe a comercialização de refrigerantes, bebidas artificiais e alimentos ultraprocessados que apresentem excesso de sódio ou gordura.
Para Leiko Asakura, a medida representa um avanço importante na promoção de hábitos alimentares mais saudáveis entre estudantes. Ela destacou ainda que existe um projeto de lei sobre o tema em tramitação na Assembleia Legislativa de Alagoas que ainda não foi votado.
Dados preocupam especialistas
Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas reforçam a preocupação com o aumento de casos de sobrepeso e obesidade infantil.
Informações da Vigilância Alimentar e Nutricional mostram que, entre crianças de até dois anos atendidas na atenção primária no estado, 11,83% apresentam sobrepeso e 7,22% obesidade. Entre crianças de dois a cinco anos, 8,09% estão com sobrepeso e 7,5% já apresentam obesidade.
O problema também é observado em nível mundial. O Atlas Mundial da Obesidade 2026 aponta crescimento acelerado da obesidade infantil e coloca o Brasil entre os dez países com maior número de estudantes com índice de massa corporal elevado.
Papel da escola
Para a pesquisadora da Ufal, a promoção de uma alimentação saudável precisa envolver toda a comunidade escolar. Ela ressalta que as escolas têm papel importante na formação de hábitos alimentares desde a infância.
Segundo a docente, garantir acesso a alimentos naturais no ambiente familiar, escolar e profissional deve ser prioridade para qualquer país que busca proteger a saúde da população.
Nas escolas públicas, a mudança tende a ser menos impactante devido à atuação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), política pública que oferece refeições equilibradas aos estudantes da rede pública e incentiva a compra de alimentos da agricultura familiar.
Em Alagoas, o programa conta com apoio técnico do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar, ligado à Faculdade de Nutrição da Ufal e referência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. O centro atua na capacitação de profissionais e no acompanhamento das políticas de alimentação escolar nos municípios.
Segundo a pesquisadora, o programa é fundamental por garantir alimentação adequada aos estudantes e, ao mesmo tempo, fortalecer a economia local e a agricultura familiar.

