O destino do vice-prefeito Ronaldo Lessa nas eleições de 2022 tumultua o PDT de Alagoas. Lessa revelou que vai disputar a única vaga aberta no próximo ano ao Senado, mas ele tem incêndios para apagar dentro e fora da legenda.
Para ele ser candidato, precisa do aval do presidente nacional, Carlos Lupi, que terá de incentivar palanques em todos os estados se Ciro Gomes for mesmo disputar a Presidência da República. Foi este interesse que tirou Lessa das eleições à Prefeitura ano passado. O PDT desistiu de lançar nome na capital alagoana e indicar o vice numa composição com o PSB, elegendo João Henrique Caldas, o JHC.
A estratégia deu certo, mas a insatisfação no ninho pedetista cresceu. Lessa também terá de romper politicamente com o senador Fernando Collor (PROS), que quer a reeleição. E virar inimigo político do senador Renan Calheiros (MDB) e do governador Renan Filho (MDB). Na avaliação de uma fonte bastante ligada a Lessa, se o PDT nacional estiver disposto a bancar a candidatura do vice ao Senado, não haverá problemas. “Ele pode sair até a governador”.
Ano passado, o PDT nacional recusou verbas à base do partido em Alagoas, inviabilizando Lessa numa empreitada própria para a Prefeitura. A decisão sobre o fundão, o financiamento estatal nas eleições, coloca o presidente nacional de todos os partidos como os donos dos tabuleiros eleitorais nos estados. Assim, Lessa depende de uma decisão de Carlos Lupi e Ciro Gomes: Alagoas terá ou não um palanque para receber Gomes? Se sim, o vice-prefeito é candidato. Mas as costuras dependem de uma decisão do prefeito: se ele renunciar para disputar o governo alagoa[1]no, Lessa não é candidato a nada porque assume a administração municipal. Se JHC apoiar o senador Rodrigo Cunha (PSDB), Lessa pode ir para a eleição sem necessidade de renunciar à Vice -Prefeitura.
Na opinião de pessoas ligadas a ele, Lessa tem discurso, pode avançar em uma ótima composição até ao governo, se quiser. Pode atrair muita gente, setores da esquerda, da direita, os insatisfeitos com os Calheiros. E se beneficiar da “falta de articulação do governa[1]dor”: “O Renan é um ótimo administrador, mas um político muito ruim. Os aliados e os opositores são tratados do mesmo jeito. As obras que existem em uma cidade estão sendo tocadas em outra onde o prefeito nem é aliado. Quem quer agradar a todos não agrada ninguém. Na prática, ele quer tirar os prefeitos da frente e chegar direto ao eleitor. O nome disso é não-política”, explicou um político do MDB.
Se Lessa disputar o Senado, apoia Rodrigo Cunha ao governo. Mas dentro do PDT existe um racha. Há duas semanas, a Executiva Estadual dissolveu a Municipal e Judson Cabral não é mais o presidente do partido em Maceió. O imbróglio deve avançar para a Justiça. Uma corrente do PDT não aceitou a decisão do prefeito JHC que indicou Patrícia Mourão e não Judson Cabral para a Secretaria de Turismo, substituindo Ricardinho Santa Ritta que só se filiou ao PDT a pedido de JHC. Santa Ritta seria candidato a deputado federal, puxando votos para Ronaldo Lessa, que era cotado a disputar uma das nove vagas à Câmara, mas foi demitido, em junho, da secretaria e afastado da legenda por apologia a símbolo nazista. Também existem problemas no PDT nacional.
Ciro Gomes radicaliza mais o discurso contra o PT e o ex-presidente Lula, buscando atrair partes da esquerda e dos arrependidos pelo bolsonarismo, além dos interesses do empresariado brasileiro. Acumula 12% nas intenções de voto (3°lugar), segundo levantamento feito pela Quaest, por encomenda da Genial Investimentos. Lula lidera esta pesquisa: tem 46% das intenções de voto contra 29% de Bolsonaro. O ex-presidente da República venceria as eleições.
Fonte – Extra

