O governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), subiu o tom da pré-campanha e gerou polêmica ao publicar em seu perfil pessoal no Instagram números de uma pesquisa de intenção de voto sem o devido registro na Justiça Eleitoral. A postagem, que trazia a tarja Arapiraca é Renan Filho, apresentava dados específicos da maior cidade do interior do estado para os cargos de presidente, governador e senador. Mais do que uma simples reprodução de números, o gesto foi interpretado nos bastidores como um recado direto aos adversários: o governador entrou de corpo e alma na disputa para eleger seu sucessor e fortalecer o grupo dos Renans.
A estratégia, contudo, esbarra na legislação vigente. Desde 1º de janeiro de 2026, a divulgação de levantamentos sem registro prévio no Tribunal Superior Eleitoral é considerada irregular e passível de punição severa. O descumprimento pode acarretar multas que variam de 53 mil a mais de 106 mil reais, além de possíveis sanções por desobediência. Sites ligados ao grupo político do prefeito JHC reagiram prontamente, apontando a ilegalidade da conduta, mas acabaram por ampliar a repercussão do dado que Dantas desejava destacar: a vantagem numérica de Renan Filho sobre o ex-prefeito de Maceió em solo arapiraquense.
Experiente, Paulo Dantas parece encarar o provável processo no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) como um efeito colateral calculado. Em um cenário de polarização a 170 dias das eleições, o enfrentamento jurídico torna-se parte do embate político. Ao ignorar as formalidades técnicas do registro, o governador sinaliza que usará todas as ferramentas de comunicação ao seu alcance para consolidar sua liderança e ditar o ritmo da sucessão estadual, independentemente das pressões judiciais que venham a surgir.

