O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da soldada da Polícia Militar Gisele Santana — encontrada morta com um tiro na cabeça em São Paulo — já esteve envolvido em um caso de abuso de autoridade contra uma policial subordinada. A situação resultou em condenação do governo estadual ao pagamento de indenização por danos morais.
A decisão judicial foi proferida em outubro de 2024 e reconheceu que o então major praticou assédio moral no ambiente de trabalho. Segundo a sentença, houve condutas repetitivas que afetaram a dignidade, a autoestima e a autonomia da policial.
A ação foi movida por uma sargento que relatou perseguições e acusações consideradas infundadas por parte do oficial. Entre os episódios apontados estão cobranças excessivas, repreensões públicas, ameaças de transferência e tentativas de responsabilização administrativa sem comprovação.
A Justiça entendeu que houve abuso da posição hierárquica e determinou o pagamento de R$ 5 mil por danos morais à policial.
Relatos reforçam padrão de comportamento
Advogados da família de Gisele Santana afirmam que há um histórico de ameaças e perseguições atribuídas ao oficial, incluindo registros anteriores envolvendo ex-companheiras e outras policiais militares.
Segundo a defesa, há boletins de ocorrência que relatam episódios de intimidação, vigilância e até ameaças de morte. Também foram citadas denúncias internas de assédio dentro da corporação.
Para os advogados, esses relatos indicam um padrão de comportamento que deveria ter sido analisado com mais rigor anteriormente.
Caso segue sob investigação
A morte da soldada Gisele Santana ocorreu em fevereiro deste ano e, inicialmente, foi registrada como suicídio. No entanto, o caso passou a ser tratado como morte suspeita pela Polícia Civil, que também apura a possibilidade de feminicídio.
A versão apresentada pelo tenente-coronel é de que a policial teria tirado a própria vida após uma discussão. Já a família da vítima contesta essa hipótese e afirma que ela não apresentava sinais de que cometeria suicídio.
Laudos periciais levantaram dúvidas sobre a versão inicial, apontando lesões no corpo da vítima e inconsistências na cena do ocorrido. Também foram identificados elementos que seguem em análise, como a trajetória do disparo e vestígios no local.
A investigação aguarda a conclusão de exames complementares para esclarecer as circunstâncias da morte. Paralelamente, a Polícia Militar abriu um inquérito interno para apurar denúncias relacionadas ao comportamento do oficial.
O caso segue em andamento.

