Não estava na agenda oficial, não houve registro público nem divulgação de imagens. Ainda assim, o encontro aconteceu. A informação foi repassada ao blog do Edivaldo Junior por fontes com conhecimento direto das articulações e confirmada por um interlocutor próximo.
Antes de deixar Alagoas, na última sexta-feira (10), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, teria se reunido com o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), em um jantar reservado. O encontro ocorreu no apartamento de JHC, no bairro da Jatiúca, sem a presença de outras lideranças partidárias.
Horas antes, durante coletiva na sede do PT em Maceió, Edinho já havia sinalizado o interesse no diálogo. “Quero conversar muito com o JHC”, afirmou, em declaração direta que ganha novo significado diante da reunião fora da agenda.
A passagem de Edinho pelo estado incluiu compromissos oficiais, como reunião com o governador Paulo Dantas, no Palácio República dos Palmares, além de outros encontros reservados com lideranças políticas.
Publicamente, o dirigente reforçou o discurso de organização do palanque para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos bastidores, no entanto, interlocutores apontam que havia uma missão adicional: avançar no diálogo com JHC e alinhar entendimentos políticos.
Segundo essas fontes, Edinho também teria tratado do cumprimento de um acordo político previamente discutido com o presidente Lula. Embora os detalhes não tenham sido tornados públicos, há संकेत de que o objetivo seria aproximar JHC do campo político liderado pelo PT.
Na entrevista, Edinho destacou a relação construída com o ex-prefeito e reforçou a intenção de retomar essa interlocução. “A política é a arte de dialogar. Tenho uma relação excelente com o JHC desde quando fui ministro no governo Dilma Rousseff. Quero conversar para que ele esteja do lado de um projeto de país mais justo, forte e com legado para as próximas gerações”, disse.
Nos bastidores do partido, há a avaliação de que existe um compromisso político a ser consolidado. Esse entendimento estaria ligado, entre outros pontos, ao processo de indicação da procuradora Marluce Caldas ao Superior Tribunal de Justiça.
Ainda que não haja confirmação pública sobre esse acordo, movimentos recentes de JHC são interpretados como sinais de reposicionamento político. Entre eles, a saída do PL, a filiação ao PSDB e uma postura mais cautelosa em relação ao bolsonarismo, evitando declarações de apoio a nomes como Flávio Bolsonaro.
Resta saber se essas mudanças refletem apenas uma leitura do cenário local ou o cumprimento gradual de compromissos firmados em âmbito nacional. Interlocutores avaliam que os próximos passos de JHC serão decisivos, sobretudo em um ambiente político que tende à polarização e deve exigir definições mais claras de posicionamento.

