O uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes em Alagoas segue em alta, mesmo diante das ações educativas desenvolvidas pelo Programa Estadual de Controle do Tabagismo. Dados recentes apontam crescimento de cerca de 14% no número de estudantes fumantes, o que representa um aumento expressivo de 131% no consumo desses dispositivos entre jovens.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a proporção de alunos de 13 a 17 anos que utilizam o chamado vape passou de 10,7% em 2019 para 24,7% em 2024. Em Alagoas, o avanço foi ainda mais acentuado que a média nacional, indicando maior vulnerabilidade entre os adolescentes do estado.
O cenário reflete uma mudança no padrão de consumo de tabaco, com a redução do uso do cigarro convencional e a migração para os dispositivos eletrônicos. Diante disso, os Núcleos de Apoio ao Fumante têm intensificado a atuação para conter o avanço do problema.
Segundo a coordenadora do programa na Secretaria de Estado da Saúde, Eunice Canuto, é necessário ampliar e fortalecer estratégias intersetoriais, com foco na promoção da saúde, prevenção e tratamento da dependência de nicotina. Entre as medidas estão o reforço de ações educativas contínuas nas escolas, a ampliação do acesso ao tratamento e o aumento do número de unidades especializadas.
A coordenadora também destaca a importância da integração entre áreas como saúde, educação, assistência social e políticas para a juventude, além da realização de campanhas de comunicação, especialmente nas redes sociais, para desmistificar a falsa percepção de segurança dos cigarros eletrônicos.
Outro ponto enfatizado é a necessidade de intensificar a fiscalização da comercialização ilegal desses dispositivos, que são proibidos no Brasil, bem como a capacitação de profissionais de saúde e educação para prevenir o início do consumo entre jovens.
Atualmente, Alagoas conta com 71 Núcleos de Apoio ao Fumante distribuídos em 24 municípios, incluindo cidades como Maceió, Arapiraca e Palmeira dos Índios. Na capital, os serviços estão disponíveis em unidades como o II Centro de Saúde, o Hospital Universitário e clínicas da família localizadas em diferentes bairros, ampliando o acesso da população ao tratamento e acompanhamento especializado.

