O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira (16) que assassinar o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, “acabaria com o conflito” entre os dois países. Em entrevista à ABC News, Netanyahu defendeu que a medida não aumentaria a escalada das tensões, mas, ao contrário, colocaria fim à guerra. A sugestão foi feita após vir à tona que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria vetado um plano israelense para eliminar o líder iraniano.
“A ‘guerra eterna’ é o que o Irã quer, e eles estão nos levando à beira de uma guerra nuclear”, disse Netanyahu. Segundo o premiê, Israel continuará eliminando “um a um” os principais comandantes iranianos em sua campanha militar, que, segundo ele, já está “mudando a cara do Oriente Médio”.
O conflito, que teve início na sexta-feira (13) com o lançamento da chamada “Operação Leão Ascendente” por Israel, chega ao quarto dia com centenas de mortes e uma série de ataques a alvos estratégicos e civis nos dois países. Pelo menos 224 pessoas morreram no Irã, incluindo dezenas de crianças, e 22 em Israel, segundo números oficiais.
Na manhã desta segunda, forças israelenses bombardearam a sede da TV estatal iraniana em Teerã, durante a transmissão ao vivo de um telejornal. O governo iraniano classificou o ataque como crime de guerra. Israel havia emitido um aviso à população da capital iraniana para evacuar o distrito 3, área que concentra ministérios e embaixadas.
Israel também confirmou o ataque ao Ministério da Defesa do Irã e ao Ministério das Relações Exteriores, com registro de feridos. A instalação de enriquecimento de urânio em Natanz, um dos principais pontos do programa nuclear iraniano, foi severamente danificada e pode ter sido implodida.
Já o Irã respondeu com bombardeios a cidades israelenses, como Tel Aviv e Haifa, atingindo refinarias e áreas residenciais. O Ministério do Petróleo iraniano também confirmou que um depósito de combustível em Teerã foi destruído, provocando um incêndio de grandes proporções.
Entre as vítimas dos ataques israelenses estão importantes líderes militares iranianos. No domingo (15), o chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária, Mohammad Kazemi, e seu vice, Hassan Mohaqeq, morreram em bombardeios. O comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, e o chefe das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, já haviam sido mortos nos primeiros ataques na sexta-feira.
Israel também realizou ataques aéreos de longo alcance, como o registrado no Aeroporto de Mashhad, no extremo leste iraniano — o alvo mais distante atingido desde o início da ofensiva.
Especialistas apontam que o Irã tem enfrentado dificuldades para responder aos ataques israelenses. Segundo o professor Leonardo Trevisan, da ESPM, os israelenses já haviam destruído em outubro do ano passado os sistemas de defesa iranianos, deixando o país vulnerável à aviação inimiga. “Hoje, os céus iranianos são de Israel”, afirmou o analista.
Diante disso, o Irã pode recorrer a ações indiretas, como o uso de milícias aliadas, para tentar reagir à ofensiva militar israelense.
Nos bastidores, autoridades internacionais tentam mediar um cessar-fogo. A União Europeia convocou uma reunião de emergência para esta terça-feira (17), com ministros das Relações Exteriores dos 27 países do bloco. O objetivo é coordenar uma resposta diplomática ao agravamento do conflito.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país ainda não está envolvido diretamente, mas admitiu que isso pode acontecer. Segundo a agência Reuters, foi Trump quem vetou um plano israelense para assassinar o aiatolá Ali Khamenei, temendo uma escalada ainda maior no conflito.
Questionado sobre isso, Netanyahu declarou que “Israel faz o que precisa fazer”. Apesar das tensões, conversas indiretas sobre um possível cessar-fogo seguem em andamento, embora o Irã tenha condicionado qualquer trégua à suspensão dos ataques israelenses.
Ao menos 41 autoridades brasileiras estão retidas em Israel desde o início do conflito. O grupo participava de uma missão oficial quando os ataques começaram e se abriga em bunkers. Entre os representantes estão prefeitos e parlamentares. Segundo o senador Carlos Viana (Podemos-MG), parte do grupo deve ser escoltada até a Jordânia com apoio das Forças de Defesa de Israel.
O Itamaraty ainda não confirmou oficialmente o plano de retirada.
O conflito tem gerado preocupações também no mercado internacional. O preço do petróleo subiu 9% na última sexta-feira e deve manter a volatilidade diante da continuidade dos ataques. Analistas preveem que novas ofensivas podem ampliar os danos à infraestrutura energética iraniana, aumentando os riscos para a economia global.
Com o aumento da violência, a comunidade internacional acompanha com apreensão o avanço das hostilidades e teme que a guerra entre Israel e Irã se transforme em um confronto de grandes proporções no Oriente Médio.

