O Ministério Público de Santa Catarina apresentou denúncia formal contra a mulher de 37 anos que, durante 14 meses, fingiu ser uma adolescente de 12 anos para ser acolhida por uma família em Joinville. A suspeita responderá pelos crimes de falsa identidade e estelionato. A denúncia aponta que a denunciada obteve vantagem ilícita ao manipular a boa-fé das vítimas, utilizando narrativas dramáticas e falsas condições de saúde para angariar apoio financeiro e assistência.
Segundo o órgão ministerial, a mulher simulou uma história de vida repleta de traumas, alegando ter sido vítima de abusos graves, rituais de bruxaria e administração forçada de hormônios. Para reforçar a farsa, ela chegou a afirmar possuir transtorno do espectro autista e utilizou sua condição física para sensibilizar os acolhedores. A encenação foi tão elaborada que a família chegou a organizar festas de aniversário, preparar um quarto infantil e fornecer medicamentos para a suposta adolescente. A mulher encontra-se presa preventivamente desde a semana passada.
A defesa, representada pelo advogado Rafael Luiz Siewert, recebeu a denúncia com serenidade. O processo encontra-se temporariamente suspenso por decisão judicial até a realização de um exame pericial pela Polícia Científica, marcado para o dia 26 de junho, que avaliará a sanidade mental da investigada. A Polícia Civil, responsável pelas diligências iniciais, destacou que a mulher possui um histórico de condutas semelhantes em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Caso o Judiciário aceite a denúncia, a investigada se tornará ré e o caso seguirá para julgamento, onde a Justiça definirá as penas para as fraudes cometidas durante o longo período de convivência com a família catarinense.

