O ex-secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e pré-candidato a deputado federal, Marivaldo Pereira (PT), disparou duras críticas ao texto do PL Antifacção, aprovado pela Câmara dos Deputados nesta terça-feira (24). Para o petista, a proposta relatada pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP) representa um retrocesso ao “desestruturar” e retirar recursos da Polícia Federal.
Marivaldo afirmou que, apesar do acordo firmado entre o governo federal e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), o texto final manteve dispositivos que enfraquecem a atuação da PF. “Desde o primeiro momento, o Derrite quis atacar a Polícia Federal. Ele conseguiu dar um golpe na corporação. A intenção sempre foi desestruturar a atuação e o texto ainda retira recursos”, declarou em entrevista à coluna.
Outro ponto de forte crítica levantado pelo ex-secretário é a suposta seletividade do projeto. Segundo Marivaldo, o PL Antifacção foca apenas no “andar de baixo” da criminalidade, deixando crimes financeiros de alto escalão fora do radar das novas medidas. Ele citou especificamente que investigações envolvendo instituições como os bancos Master e Reag — que têm sido alvo de debates na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado — podem ser prejudicadas.
“O texto não alcança a Faria Lima. Ele só quis pegar o andar de baixo”, completou o ex-secretário. O debate agora deve se deslocar para o Senado, onde a oposição e setores do governo devem discutir se os pontos criticados por Marivaldo e outros especialistas em segurança pública serão mantidos ou alterados antes da sanção presidencial.

