Na manhã dessa segunda-feira (2), um novo episódio de agressão ambiental foi registrado em vídeo no bairro de Bebedouro, na região do Flexal de Baixo, em Maceió. As imagens mostram uma empresa realizando intervenção direta em área de manguezal, com desmatamento irregular e uso de maquinário pesado em um ecossistema protegido por lei.
De acordo com o arquiteto urbanista Dilson Ferreira, o equipamento utilizado na ação não é, por si só, inadequado para esse tipo de terreno. “O problema não é a máquina nem, isoladamente, a empresa. O equipamento utilizado é adequado para áreas alagadas”, explicou o especialista.
Segundo Dilson, o trator de esteira é projetado justamente para operar em terrenos lamacentos, leitos de rios, áreas alagadas e manguezais. Ele ressalta que esse tipo de equipamento é amplamente empregado em atividades como mineração e dragagem, por oferecer maior estabilidade e tração em solos instáveis quando comparado a máquinas com rodas.
Apesar disso, o urbanista não descarta a possibilidade de falhas na condução do equipamento. “Não se trata apenas de falha operacional, ainda que ela possa ter ocorrido. Sim, pode também ter ocorrido falhas na operação”, ponderou.
Para o especialista, o ponto central do problema é a instabilidade do solo, uma condição já amplamente documentada por relatórios técnicos e que, segundo ele, continua sendo ignorada. Dilson destaca que outros episódios semelhantes já aconteceram na região, com máquinas afundando parcialmente, inclusive em áreas urbanizadas.
Por fim, ele reforça que os laudos técnicos são unânimes ao apontar riscos em toda a área. O manguezal, classificado como Área de Preservação Permanente (APP), é protegido pela legislação ambiental brasileira devido à sua importância para a biodiversidade, o equilíbrio climático e a subsistência de comunidades tradicionais.

