Dormir mal deixou de ser algo pontual e passou a fazer parte da rotina de uma parcela significativa da população de Maceió. Dados do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde que acompanha fatores de risco à saúde da população adulta, colocam a capital alagoana no topo do ranking nacional em dois indicadores: maior proporção de adultos com sintomas de insônia e maior percentual de pessoas que dormem menos de seis horas por noite entre as capitais brasileiras.
Segundo o estudo, 38 por cento dos adultos maceioenses relataram sintomas como dificuldade para iniciar o sono, despertares frequentes durante a madrugada ou acordar antes do horário desejado. Entre as mulheres, o índice é ainda mais elevado e chega a 45,6 por cento. Quando se trata de sono de curta duração, quase 28 por cento das mulheres afirmam dormir menos de seis horas por noite.
A servidora pública Maria Clara, de 31 anos, convive com a insônia desde a adolescência. Durante anos, dormir entre quatro e seis horas por noite parecia algo comum. Apenas com o tempo ela percebeu os impactos na saúde. Segundo relata, o cansaço constante afetou o humor e a disposição, especialmente em períodos de alterações hormonais.
Após procurar acompanhamento especializado, iniciou tratamento e adotou medidas de higiene do sono, como reduzir o uso do celular à noite e controlar a iluminação do ambiente. Atualmente, consegue dormir cerca de oito horas por noite. Ela afirma que a melhora trouxe impactos diretos no rendimento profissional e na qualidade de vida.
A estudante de engenharia civil Mariana, de 29 anos, também dorme menos do que o recomendado, mas por causa da rotina intensa. Entre estágio, faculdade e atividades físicas, o descanso varia entre cinco e sete horas por noite. Apesar de considerar o sono reparador, ela relata episódios de sonolência e dores de cabeça, mas nunca buscou orientação médica.
Para a médica especialista em sono Amanda Bastos Lira, os dados reforçam a necessidade de incluir o tema nas consultas de rotina. Segundo ela, distúrbios do sono impactam diretamente a saúde física e mental. Perguntas simples sobre dificuldade para dormir, ronco, despertares frequentes e cansaço ao acordar ajudam a identificar alterações precocemente.
A especialista aponta fatores locais que podem contribuir para os índices, como o uso prolongado de telas, exposição à luz artificial no período noturno e aumento de atividades sociais após o pôr do sol. No recorte por gênero, as mulheres aparecem em situação mais vulnerável. A médica relaciona os números à sobrecarga de funções e às alterações hormonais, especialmente no período da menopausa.
A recomendação para adultos é dormir entre sete e nove horas por noite, com boa qualidade e ciclos completos. Dormir menos de seis horas de forma frequente pode comprometer diversos sistemas do organismo, já que o sono é fundamental para a reparação do corpo e para o equilíbrio mental.
Os dados do Vigitel indicam que a privação de sono deixou de ser um problema isolado e passou a refletir um padrão coletivo na capital alagoana, acendendo um alerta para a necessidade de mais atenção ao tema na saúde pública.

