A decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre combustíveis reacendeu o debate político sobre medidas econômicas em período pré-eleitoral. O anúncio ocorreu a cerca de cinco meses do início da campanha, e analistas apontam semelhanças com ações adotadas pelo governo anterior.
Medida semelhante foi tomada em março de 2022 pelo então presidente Jair Bolsonaro, quando assinou decretos que zeraram tributos federais sobre o diesel e o gás de cozinha. Na época, o argumento do governo era reduzir o impacto da alta do petróleo no mercado internacional, influenciada principalmente pela Guerra da Ucrânia.
No caso atual, o governo federal justificou a decisão afirmando que houve pressão sobre os preços dos combustíveis após tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã. A avaliação do Planalto é de que a redução de tributos pode ajudar a conter os reajustes no mercado interno.
Quando a medida semelhante foi adotada em 2022, integrantes do Partido dos Trabalhadores criticaram a iniciativa do governo Bolsonaro, classificando-a como eleitoreira. À época, o senador Humberto Costa afirmou que a redução temporária de impostos teria como objetivo influenciar o cenário eleitoral daquele ano.
Analistas políticos também apontam que decisões com impacto direto no custo de vida costumam ganhar destaque em momentos de disputa eleitoral. O sociólogo Alberto Almeida avaliou recentemente que medidas de forte apelo popular podem influenciar o ambiente político, especialmente diante da disputa prevista entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro nas eleições deste ano.

