Em Nova Délhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende insistir em uma cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. A declaração foi feita neste domingo (22/2), ao final de sua viagem à Índia, e envolve a reunião prevista para março com o presidente Donald Trump.
Durante a coletiva, Lula relembrou o encontro que teve com Trump em dezembro de 2025, quando o tema da segurança pública já havia sido discutido. Segundo o petista, o Brasil está disposto a trabalhar em conjunto contra o narcotráfico, o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro, destacando que a meta é colocar “os magnatas da corrupção na cadeia”.
Ao detalhar sua posição, o presidente ressaltou que os principais articuladores de esquemas ilícitos não vivem nas periferias, mas em áreas nobres. Ele afirmou que esses “magnatas” residem em coberturas e nos bairros mais valorizados tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos.
Além disso, Lula informou que o governo brasileiro já encaminhou às autoridades norte-americanas nomes de investigados e pretende aprofundar o diálogo sobre o tema no próximo encontro bilateral. A ideia, segundo ele, é integrar instituições dos dois países para fortalecer as investigações.
Nesse contexto, o presidente mencionou que levará representantes da Polícia Federal, do Ministério da Justiça, do Ministério Público e da Receita Federal para a reunião. Em contrapartida, sugeriu que os EUA mobilizem órgãos como a CIA, o FBI e o Departamento de Justiça, formando uma força-tarefa conjunta para enfrentar o crime organizado.
Ao citar ações recentes, Lula mencionou a operação que bloqueou mais de 200 milhões de litros de gasolina transportados em navios, posteriormente entregues à Petrobras. Ele fez referência ao empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit, alvo de investigações.
Por fim, o presidente recordou a Operação Carbono Oculto, que apura indícios de sonegação bilionária e possíveis vínculos com facções criminosas. Lula afirmou que enviou às autoridades norte-americanas informações sobre o investigado que reside em Miami e reiterou o pedido de cooperação para que o Brasil possa responsabilizar seus cidadãos acusados de crimes.

