O presidente Lula estuda vetar o reajuste salarial concedido a servidores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, aprovado após votações internas no início da semana. A medida permite remunerações acima do teto constitucional.
Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que a tendência é pelo veto nos próximos dias. Segundo auxiliares do presidente, prevalece a posição da ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, que teria sido surpreendida com a aprovação do reajuste.
Além do aumento salarial, os textos aprovados preveem a concessão de um dia de folga a cada três trabalhados. Os servidores poderão optar por licença compensatória, com conversão das folgas em dinheiro e isenção de Imposto de Renda.
O conjunto de benefícios pode fazer com que os vencimentos ultrapassem o teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46,3 mil. O impacto estimado é de cerca de R$ 500 milhões por ano na Câmara e aproximadamente R$ 200 milhões no Senado.
Nos bastidores, a avaliação é de que um eventual veto reforçaria o discurso de responsabilidade fiscal e respeito aos recursos públicos. Por outro lado, a decisão pode gerar desgaste político com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, em pleno início de um ano eleitoral.

