Mesmo com as tradicionais liquidações movimentando as vitrines, o comércio de Maceió iniciou o ano com crescimento considerado moderado e sob impacto do alto endividamento da população. A avaliação é do presidente da Aliança Comercial de Maceió, Guido Júnior, ao analisar o desempenho das vendas no mês de janeiro.
De acordo com o dirigente, ao contrário do senso comum, janeiro não é historicamente um período fraco para o setor. As promoções realizadas logo após as festas de fim de ano costumam atrair consumidores e contribuir para o faturamento dos lojistas.
Ainda assim, o cenário projetado para janeiro de 2026 é mais desafiador. Guido Júnior explica que o comércio mantém crescimento estimado entre 4% e 6%, porém esse avanço está relacionado, principalmente, ao reajuste de preços, e não a um aumento real no volume de vendas.
No que diz respeito aos itens mais procurados nesta época, destacam-se eletrodomésticos, móveis e calçados. Contudo, segundo o presidente da Aliança Comercial, a maior demanda concentra-se no material escolar, impulsionada pelo início do ano letivo.
Por outro lado, o endividamento dos consumidores tem limitado o poder de compra. O uso frequente de empréstimos, segundo Guido, leva muitas famílias a reduzir ou adiar aquisições, o que provoca queda na procura e prejudica o desempenho do comércio.
Diante desse contexto, a entidade busca estratégias para atrair o consumidor e estimular as compras. “Trazer de volta esse cliente que muitas vezes prefere guardar o dinheiro e adiar as compras tem sido um desafio constante”, afirmou o presidente.
A dificuldade financeira também é sentida pelas famílias. A diarista Aldênia Santos relatou à reportagem que enfrenta problemas para comprar o material escolar dos filhos neste início de ano. Segundo ela, a renda familiar está comprometida por empréstimos feitos ao longo do ano passado para cobrir despesas básicas.
Além disso, os gastos do período de festas agravaram a situação do orçamento doméstico. “A renda da minha casa está comprometida por causa dos empréstimos e das despesas do fim do ano. Agora, com a compra do material escolar, as contas não fecham”, desabafou.
Segundo Aldênia, o cenário tem exigido a revisão de gastos e a busca por alternativas para garantir o início do ano letivo das crianças, diante do aumento dos preços e da limitação da renda familiar.

