Aliados históricos do vice-governador também rejeitam aproximação com o partido
Por Blog de Edivaldo Junior
A possível aliança entre o vice-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT), e o ex-prefeito JHC (PSDB) gera resistências dentro do próprio campo político de Lessa. A movimentação pode desencadear uma crise interna com reflexos diretos no desempenho eleitoral do grupo no Estado ainda este ano.
A ex-prefeita de Maceió Kátia Born, aliada de Lessa desde os anos 1980, se posicionou publicamente contra a ideia. Em comentário nas redes sociais, declarou ser “difícil acreditar que isso possa acontecer” e deixou claro seu posicionamento: “Meu voto é em Renan Filho.”
A posição de Kátia não é isolada. Outros aliados históricos também rejeitam a aproximação com o PSDB. Nos bastidores, o grupo ligado à ex-prefeita — que é pré-candidata a deputada estadual — já sinalizou que não acompanhará Lessa caso a composição se confirme.
A tensão chega ao núcleo familiar. Otávio Lessa, irmão do vice-governador e conselheiro do Tribunal de Contas, afirmou que não participará do movimento político se ele se concretizar — ou seja, Lessa seguiria sozinho.
O deputado federal Rafael Brito, um dos articuladores da indicação de Lessa para vice em 2022, também se mostrou contrário. Segundo ele, uma guinada nessa direção significaria “jogar a história na lata do lixo”.
O histórico político pesa na análise. Em 2010, Lessa concorreu ao governo em oposição ao PSDB de Teotônio Vilela Filho. Agora, discute-se a possibilidade de integrá-lo numa mesma chapa, seja como candidato ao Senado ou à vice-governadoria.
Interlocutores confirmam que conversas estão em andamento. A proposta incluiria espaço de Lessa na chapa de JHC e participação na gestão municipal, com a indicação da Secretaria de Educação de Maceió.
Até o fechamento desta reportagem, nada havia sido oficializado. Lessa informou nas redes sociais que só se pronunciará após conversar com o governador Paulo Dantas. Enquanto isso, mantém silêncio público sobre o assunto.

