A Justiça da Itália afastou a tese de perseguição política sustentada pela defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli ao autorizar sua extradição para o Brasil nesta quinta-feira (26). Em decisão unânime, os magistrados italianos concluíram que o processo conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, respeitou integralmente as garantias fundamentais e o devido processo legal, não havendo elementos que comprovem parcialidade do Judiciário brasileiro.
A defesa de Zambelli argumentou que declarações públicas de Moraes teriam comprometido a imparcialidade do julgamento. No entanto, o colegiado italiano considerou os argumentos improcedentes, ressaltando que a própria Suprema Corte brasileira já havia analisado e rejeitado as exceções de suspeição apresentadas. Os juízes reforçaram que a função jurisdicional pertence ao colegiado em sua totalidade e que não cabe à Itália reavaliar o mérito da condenação, mas apenas verificar se houve violações graves de direitos, o que não foi identificado no caso da ex-parlamentar.
Carla Zambelli foi condenada no Brasil pela autoria intelectual da invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por porte ilegal de arma de fogo. A ex-deputada ainda poderá recorrer à última instância da Justiça italiana, a Corte de Cassação de Roma. A palavra final sobre o envio da brasileira caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. Caso a extradição seja confirmada em todas as esferas, Zambelli deverá ser cumprir sua pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia.

