O julgamento de Leandro Pinheiro Barros, acusado de matar a tiros a esposa Mônica Gomes Cavalcante Alves, de 26 anos, foi retirado da pauta do Tribunal do Júri e não ocorrerá mais em Arapiraca por enquanto. A sessão, que estava agendada para o dia 18 de agosto, foi suspensa após os advogados do réu apresentarem um recurso de apelação contra uma decisão anterior do processo. Com a mudança, os autos retornam temporariamente para a Comarca de São José da Tapera, município onde o crime foi cometido.
A determinação foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico pelo juiz Rômulo Vasconcelos de Albuquerque, da 5ª Vara Criminal de Arapiraca. O magistrado explicou que a unidade judicial havia recebido o processo exclusivamente para a execução do júri popular devido ao desaforamento, medida que transfere o julgamento por conta da forte repercussão. Por esse motivo, a comarca atual não possui competência legal para analisar e julgar recursos da defesa, cabendo essa atribuição ao juízo natural da causa em São José da Tapera. O recurso precisará ser julgado antes que uma nova data para o júri seja definida.
O feminicídio chocou Alagoas em junho de 2023. Mônica foi assassinada em via pública e seu corpo foi deixado em frente ao fórum da cidade. Horas antes de morrer, ela gravou um vídeo em que denunciava o relacionamento abusivo e afirmava que, caso algo lhe acontecesse, o marido seria o culpado. Leandro fugiu após o crime e permaneceu foragido por dez meses na Bolívia, até ser capturado. Ele responde por homicídio triplamente qualificado, incluindo o agravante de feminicídio.

