Pré-candidato à Presidência da República em 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria atuado nos bastidores para estimular dirigentes do Progressistas (PP) a tornarem pública a insatisfação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
No contexto das articulações eleitorais, o PP passou a se posicionar como possível adversário de Tarcísio nas eleições paulistas, buscando construir um palanque alternativo em São Paulo para uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Apesar disso, em entrevista concedida na terça-feira (6/1) ao blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, o senador afirmou que conversou com Tarcísio durante o Natal e garantiu que a relação entre ambos estaria “boa”.
Nos bastidores, entretanto, aliados de Flávio e integrantes do PP relataram ao Metrópoles que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro teria influência direta no acirramento da relação entre a cúpula do partido e o governador paulista. Procurado pela reportagem, Flávio Bolsonaro não se pronunciou.
A insatisfação do Progressistas veio a público no dia 28 de dezembro, quando a legenda divulgou uma nota mencionando “falta de atenção a parlamentares” e um “distanciamento entre membros do atual governo estadual e a direção partidária” em níveis nacional e estadual.
A manifestação abriu espaço para que o PP avaliasse a possibilidade de lançar um candidato próprio ao governo de São Paulo, mesmo diante de uma eventual tentativa de reeleição de Tarcísio. Na semana seguinte, começaram a circular nomes que poderiam disputar o cargo pela sigla.
Entre os possíveis candidatos citados estão o ex-governador Rodrigo Garcia e o deputado federal e ex-ministro Ricardo Salles (Novo-SP). Também surgiram especulações em torno de Filipe Sabará, que coordenou a campanha de Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo e tem atuado como elo entre Flávio Bolsonaro e empresários paulistas.
Sabará confirmou ter sido consultado pelo PP e disse se sentir “lisonjeado” com o convite, mas ressaltou que sua prioridade no momento é apoiar Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa presidencial.
A tensão entre o clã Bolsonaro e o governador paulista foi comentada pelo deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), que afirmou não manter diálogo com bolsonaristas, mas reconheceu o clima de desconfiança. Segundo ele, críticas feitas por Eduardo Bolsonaro evidenciam o desconforto da família com Tarcísio.
Pinato avalia que o PP poderia oferecer um palanque mais seguro para Flávio Bolsonaro. Ele afirma ainda que o presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PP-PI), demonstrou lealdade ao governador paulista, mas que o gesto não teria sido correspondido.
Outro ponto de incerteza citado pelo parlamentar é a relação de Tarcísio com Gilberto Kassab, secretário de Governo de São Paulo e presidente nacional do PSD. O partido abriga dois governadores cotados como possíveis pré-candidatos à Presidência — Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR) —, o que poderia dificultar o apoio a Flávio.
Em contrapartida, fontes do Palácio dos Bandeirantes afirmam que uma das marcas da gestão Tarcísio é justamente não ceder a pressões partidárias.
Dentro do Progressistas, no entanto, a estratégia de confrontar Tarcísio não é unânime. O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública, não aderiu à articulação contra o governador.
Da mesma forma, o deputado estadual Delegado Olim (PP-SP) rejeitou a ideia de boicote à possível candidatura de reeleição de Tarcísio. “Se o Tarcísio for candidato a governador, eu apoio só o Tarcísio. Se ele sair candidato a presidente, eu apoio o Derrite. Se for outro, eu vou pensar”, declarou.
A saída de Derrite do governo paulista é interpretada como mais uma perda de espaço do PP na administração estadual. Antes disso, o partido já havia sido derrotado em outra disputa interna, quando o nome de Ciro Nogueira chegou a ser cogitado para a Casa Civil, cargo que Tarcísio optou por manter com Arthur Lima, seu amigo pessoal há três décadas.

