A falta de definição do prefeito de Maceió, JHC, sobre mudança partidária e qual palanque deve integrar nas eleições de 2026 tem impactado diretamente a organização do PL em Alagoas. A legenda ainda não estruturou formalmente a estratégia estadual para apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Nos bastidores, circula a informação de que JHC mantém conversas para retornar ao PSB, partido pelo qual já foi filiado. A indefinição tem mantido o diretório estadual do PL em compasso de espera, sem um plano consolidado que conecte o cenário local ao projeto nacional da sigla.
Enquanto isso, a mobilização bolsonarista ocorre de forma espontânea, segundo lideranças do partido. Grupos de apoiadores têm organizado encontros e fortalecido a presença nas redes sociais, mas ainda sem coordenação institucional formal.
O deputado estadual Cabo Bebeto (PL) afirma que o partido aguarda a decisão do prefeito para traçar uma estratégia. “Pelo que estou vendo, vai ser como foi nos anos anteriores: voluntariado e organização dos grupos. Mas estratégia oficial do partido ainda não tem. Falta essa definição do JHC”, declarou.
Outras lideranças já manifestaram apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O vereador Leonardo Dias (PL) afirmou que estará na linha de frente da campanha, independentemente da composição dos palanques locais. Na Câmara dos Deputados, Alfredo Gaspar (União Brasil) também declarou apoio ao senador.
A expectativa gira em torno da possível renúncia de JHC ao cargo até o início de abril, dentro do prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral. Em reunião com aliados, no mês passado, o prefeito teria sinalizado intenção de disputar um cargo majoritário, com foco principal no Governo de Alagoas.
A definição é considerada estratégica para o PL. O partido depende da posição de JHC para estruturar a chapa majoritária, consolidar alianças e alinhar o discurso estadual ao projeto presidencial.
Além da disputa ao governo, o cenário inclui articulações para o Senado. São citados como possíveis candidatos Arthur Lira (PP), Alfredo Gaspar (União Brasil) e Davi Davino Filho (Republicanos). Também há especulações de que JHC possa optar por uma candidatura ao Senado, cenário que manteria a vaga hoje ocupada por sua mãe, a senadora Dra. Eudócia Caldas (PL).
Para os bolsonaristas, a construção de um palanque competitivo em Alagoas é essencial, especialmente em uma região onde o desempenho eleitoral da direita enfrenta desafios históricos. Enquanto o MDB no estado já se posiciona em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PL aguarda a definição que pode reorganizar o cenário político local.
Até que haja uma decisão oficial, a tendência é que o partido siga sustentado por sua militância, mas sem coordenação estratégica unificada.

