A hipertensão arterial afeta cerca de 30% da população brasileira, mas uma parcela desses diagnósticos pode ter origem em fatores bem diferentes dos hábitos tradicionais ou do envelhecimento natural do corpo. De acordo com a endocrinologista Marilia Trentin, existe um grupo específico de pacientes que desenvolve a chamada hipertensão secundária, um quadro que é desencadeado diretamente pelo excesso de hormônios produzidos pelas glândulas adrenais, situadas logo acima dos rins.
A especialista destaca que a idade em que os primeiros sintomas se manifestam serve como um importante sinal de alerta para os médicos. Embora a pressão alta crônica seja uma condição muito mais comum e diagnosticada após os 60 anos, o surgimento do problema em indivíduos com menos de 30 anos deve acender o sinal vermelho e motivar uma investigação clínica profunda sobre possíveis causas hormonais ocultas no organismo.
Para fechar o diagnóstico correto e direcionar o tratamento adequado para esse tipo específico de hipertensão, a médica recomenda a realização de exames laboratoriais detalhados. Os testes indicados incluem a dosagem do hormônio aldosterona na corrente sanguínea, além da pesquisa minuciosa de catecolaminas no sangue ou na urina, substâncias que atuam diretamente no sistema circulatório e que, quando desreguladas, têm o potencial de elevar a pressão arterial de forma significativa.

