O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (17) que não acredita na permanência da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a medida anunciada pelo governo do ex-presidente Donald Trump é prejudicial à própria economia norte-americana e não faz sentido do ponto de vista comercial.
“Pensa na produção de um avião da Embraer: 45% dos componentes vêm dos Estados Unidos. E uma boa parte dos aviões são vendidos nos Estados Unidos. O suco de laranja é envasado lá. Vai ter uma fábrica parada lá por falta do suco daqui. E qual é o sentido de taxar suco, café, carne? Isso vai encarecer o café da manhã do americano”, explicou Haddad em entrevista ao Estadão.
O ministro destacou que o governo Lula trabalha para construir uma força-tarefa que resolva o impasse “o mais rapidamente possível” e considera que a motivação por trás da sanção comercial é política. Para ele, os Estados Unidos estão aproveitando uma vulnerabilidade interna do Brasil, referindo-se ao avanço da extrema-direita no país.
“Eles estão percebendo uma vulnerabilidade do Brasil em virtude do fato de ter uma força política, que é a extrema-direita bolsonarista, concorrendo para os interesses americanos”, afirmou.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, também se posicionou sobre a tensão comercial entre os dois países. Ao comentar a abertura de uma investigação comercial contra o Pix pelos EUA, Alckmin afirmou que o verdadeiro problema está nas tarifas, e não no sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
“O Pix é um sucesso. O que nós precisamos resolver é a questão tarifária”, disse. Ele lembrou que não é a primeira vez que os Estados Unidos abrem uma investigação comercial contra o Brasil e que, em outras ocasiões, o país respondeu aos questionamentos com êxito.
Alckmin ainda fez uma crítica indireta à influência da família Bolsonaro nas relações internacionais. “A política não pode interferir nas relações comerciais. O interesse de alguns não pode se contrapor aos interesses de muitos”, afirmou.
Em reação formal, o governo Lula enviou uma carta ao secretário de Comércio e ao representante comercial dos Estados Unidos manifestando indignação com a tarifa de 50% e alertando sobre os impactos negativos tanto para a economia brasileira quanto para a norte-americana.
Segundo o Planalto, as tentativas de negociação começaram em abril. Em maio, o Ministério das Relações Exteriores encaminhou uma minuta confidencial com sugestões de diálogo, mas, até o momento, não houve resposta dos EUA. A falta de disposição do governo Trump em avançar nas negociações tem preocupado integrantes do governo brasileiro.
Enquanto isso, a Secretaria de Comunicação da Presidência publicou em suas redes sociais mensagens em defesa do Pix com a frase: “O Pix é nosso, my friend”. De acordo com o Banco Central, mais de 175 milhões de brasileiros já utilizam o sistema.

