O governo brasileiro tem se mobilizado diplomaticamente para evitar que facções criminosas do país, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), sejam classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas. A articulação envolve o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em conversas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Segundo a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a classificação poderia abrir precedentes para intervenções externas em território brasileiro, levantando preocupações relacionadas à soberania nacional. Um dos receios é que a medida seja usada como justificativa para ações internacionais semelhantes às já observadas em outros países da América Latina.
Durante as conversas diplomáticas, o chanceler brasileiro argumentou que facções criminosas atuantes no Brasil não devem ser enquadradas na categoria de organizações terroristas estrangeiras, classificação que permitiria a adoção de medidas mais duras por parte do governo norte-americano.
O debate ganhou força após operações de grande escala contra o crime organizado no Brasil e o uso crescente do termo “narcoterrorismo” por autoridades estrangeiras e por setores da política nacional para se referir a grupos ligados ao tráfico.
Especialistas apontam que, embora a classificação não signifique automaticamente uma intervenção estrangeira, ela pode ampliar pressões internacionais e abrir espaço para cooperação militar ou ações extraterritoriais, o que gera preocupação dentro do governo brasileiro.

