O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nesta quinta-feira (12) o arquivamento do inquérito que investiga a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) por suposta coação e obstrução de Justiça. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
O Inquérito 5.001 apurava se Zambelli teria tentado interferir em processos da Corte enquanto estava na Itália. Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, as declarações e atitudes da ex-parlamentar no exterior ficaram restritas ao “campo da retórica”, sem repercussão prática nas investigações ou ações judiciais.
Na manifestação enviada ao STF, Gonet afirmou que, após o esgotamento das diligências, não foram encontrados elementos suficientes para justificar a abertura de ação penal. Segundo ele, não há provas da materialidade do crime nem linha investigativa capaz de sustentar o prosseguimento do caso, razão pela qual defendeu o arquivamento, nos termos do Código de Processo Penal.
Zambelli deixou o Brasil em 3 de junho de 2025, dias após ser condenada pela Primeira Turma do STF a dez anos de prisão pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). À época, o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de nova investigação depois que a ex-deputada, em entrevistas, sugeriu que buscaria apoio de autoridades estrangeiras para influenciar processos no Brasil.
De acordo com a PGR, a prisão da ex-parlamentar e os elementos já coletados indicam que eventual intenção de interferência não passou do plano discursivo, sem atos concretos capazes de configurar crime.
Extradição em análise
A Justiça da Itália deve decidir até quarta-feira (18) sobre o pedido de extradição de Carla Zambelli. O julgamento, conduzido pela Corte de Apelação de Roma, foi encerrado nesta quinta-feira (12).
Os magistrados podem autorizar a extradição, rejeitar o pedido ou solicitar documentação adicional antes de proferir a decisão final. Durante a sessão, foram ouvidos a defesa da ex-deputada e o advogado designado pela Advocacia-Geral da União.
Zambelli, aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está presa desde julho de 2025 na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma.

