Diante de novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de tomar a Groenlândia, países europeus passaram a se mobilizar diplomaticamente. A Dinamarca e o governo do território autônomo articulam uma reunião com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na tentativa de conter a escalada de tensão.
Além disso, a França informou que trabalha com aliados em um plano de resposta caso os Estados Unidos avancem com a ideia de anexação da ilha. O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, afirmou que o tema seria discutido ainda nesta quarta-feira (7) em encontro com representantes da Alemanha e da Polônia, defendendo uma atuação conjunta da União Europeia diante do cenário. Segundo ele, qualquer reação deve ocorrer de forma coordenada entre os parceiros europeus.
Nos últimos dias, líderes de importantes países europeus, assim como do Canadá, manifestaram apoio à Groenlândia e reforçaram que o território pertence ao seu povo. Em contraste, a Casa Branca voltou a declarar que o uso de forças militares não está descartado como alternativa para alcançar os objetivos estratégicos dos Estados Unidos na região.
Os EUA já mantêm presença militar na Groenlândia por meio da Base Espacial Pituffik, mas Trump tem reiterado o interesse em assumir o controle total da ilha, retomando uma proposta que surgiu ainda em seu primeiro mandato. A preocupação entre líderes europeus aumentou após a recente ofensiva norte-americana na Venezuela e discursos do presidente americano que indicam a possibilidade de novas ações internacionais.
Especialistas apontam que uma eventual anexação da Groenlândia teria forte impacto na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aprofundando divisões entre Washington e seus aliados europeus. A ilha é um território autônomo sob administração dinamarquesa há mais de dois séculos e ocupa posição estratégica no Ártico, além de possuir vastos recursos naturais.
Trump argumenta que a Groenlândia é essencial para a segurança nacional dos Estados Unidos, tanto por sua localização em rotas marítimas internacionais quanto pelo potencial de abrigar infraestrutura militar voltada à contenção de ameaças vindas da Rússia ou de outros países europeus.
Em declaração recente, a Casa Branca afirmou que “as forças armadas dos Estados Unidos são sempre uma opção”, reforçando a gravidade do discurso. Já Marco Rubio indicou a parlamentares que a intenção do governo americano seria adquirir o território por meio de negociação, e não por invasão, embora Trump tenha solicitado a atualização de planos para a possível compra da ilha.
Reagindo às declarações, líderes europeus divulgaram um comunicado conjunto afirmando que apenas a Dinamarca e a Groenlândia têm legitimidade para decidir sobre o futuro do território. A nota ressaltou ainda que os membros da Otan têm o dever de preservar a soberania, a integridade territorial e as fronteiras de seus aliados.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, foi enfática ao declarar que qualquer ataque dos Estados Unidos à Groenlândia poderia significar o fim da Otan, dada a quebra dos princípios que sustentam a aliança.

