O governo dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (10) que considera as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como ameaças relevantes à segurança regional. Apesar disso, o país não confirmou se pretende classificá-las oficialmente como organizações terroristas.
Em comunicado, o Departamento de Estado destacou que organizações criminosas brasileiras, como o PCC e o CV, representam um risco significativo por estarem envolvidas com tráfico de drogas, violência e atividades de crime transnacional.
O órgão também afirmou que não comenta antecipadamente possíveis decisões sobre designações terroristas, mas ressaltou que o governo americano está comprometido em adotar medidas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas.
Governo brasileiro adota postura cautelosa
Nos bastidores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou integrantes do governo a reagirem com cautela às declarações vindas dos Estados Unidos.
De acordo com apuração, a avaliação no Palácio do Planalto é de que o tema deve ser tratado prioritariamente por meio da diplomacia, evitando reações públicas que possam ampliar tensões entre os dois países.
A leitura de integrantes do governo é que as falas do presidente americano Donald Trump têm, até o momento, caráter mais retórico do que prático.
Preocupação com soberania
Ainda assim, o governo brasileiro vê com preocupação a possibilidade de que facções criminosas sejam classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
A avaliação no Planalto é que uma decisão unilateral nesse sentido poderia abrir precedentes para medidas mais duras contra o Brasil, como sanções financeiras ou até justificativas para algum tipo de intervenção externa.
O tema já foi discutido entre o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira e o secretário de Estado americano Marco Rubio. Segundo relatos, o assunto também foi mencionado por Lula em conversa com a presidente do México, Claudia Sheinbaum.

