O governo dos Estados Unidos comunicou ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, a intenção de intensificar ações contra as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Durante reunião, autoridades norte-americanas informaram que Washington avalia classificar os dois grupos como organizações terroristas, apesar da resistência do governo brasileiro. O Departamento de Estado sustenta que essas facções movimentam grandes volumes financeiros por meio de lavagem de dinheiro e que a nova classificação permitiria ampliar o rigor no combate, especialmente no bloqueio de recursos.
O aviso prévio foi interpretado como um gesto de consideração ao Brasil, já que outros países não receberam comunicação antecipada. O México, por exemplo, não foi informado antes de os Estados Unidos classificarem seis cartéis como organizações terroristas.
Caso confirmada, a medida representará uma mudança relevante na política externa dos EUA para a América Latina. A designação como organização terrorista aciona mecanismos mais rígidos do Departamento do Tesouro, incluindo o congelamento imediato de ativos em território americano e a proibição de qualquer tipo de apoio financeiro ou material por pessoas e instituições sob jurisdição dos EUA.
Esse cenário coloca o governo brasileiro em uma posição diplomática sensível. Enquanto o Brasil tradicionalmente trata o combate ao crime organizado como tema de cooperação policial, a abordagem norte-americana eleva a questão ao nível de segurança nacional.
A resistência do governo brasileiro está relacionada ao receio de que essa classificação abra espaço para intervenções externas ou gere impactos indiretos sobre a soberania, a economia e setores como o turismo.
Fonte: Metrópoles.

