Mais da metade das gestações registradas no Brasil ocorre de forma não planejada, realidade que impacta diretamente milhões de mulheres e gera elevados custos ao Sistema Único de Saúde (SUS). Um estudo desenvolvido pela Organon e apresentado durante o Congresso ISPOR 2026, um dos mais importantes eventos mundiais de Economia da Saúde e Pesquisa de Desfechos, realizado entre os dias 17 e 20 de maio, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, aponta que a ampliação do uso do implante subdérmico de etonogestrel pode ajudar a reduzir esse cenário e gerar uma economia estimada em US$ 15,5 milhões aos cofres públicos.
A pesquisa analisou o custo-efetividade e o impacto orçamentário do implante contraceptivo de longa duração — que possui eficácia de 99,95% — em comparação a outros métodos já disponíveis na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), entre eles anticoncepcionais orais, injetáveis e o DIU de cobre. O levantamento considerou mulheres entre 18 e 49 anos sob a perspectiva do sistema público de saúde brasileiro.
Segundo o estudo, os custos diretos relacionados às gestações não planejadas no Brasil chegam a aproximadamente US$ 745 milhões, considerando períodos de análise de 3, 5 e 10 anos. Dentro desse cenário, o implante subdérmico apresentou o melhor desempenho em custo-efetividade entre os métodos avaliados, impulsionado pela alta eficácia e pela baixa taxa de falha ao longo do tempo.
Na comparação com o DIU de cobre, também classificado como contraceptivo de longa duração, o implante demonstrou uma relação custo-benefício considerada altamente favorável, representando menos de 4% do limite aceito no Brasil para investimentos em saúde.
Outro ponto destacado pela pesquisa é que a ampliação do acesso ao implante contraceptivo não acarretaria aumento de despesas para o sistema público. Pelo contrário: a redução no número de gestações não planejadas tende a diminuir gastos assistenciais, fortalecendo o método como uma estratégia eficiente de gestão de recursos públicos.
A estimativa de economia de US$ 15,5 milhões considera apenas os custos diretos em saúde, sem incluir impactos sociais frequentemente associados à gravidez não planejada, como evasão escolar, menor inserção no mercado de trabalho e aumento da vulnerabilidade econômica.
Para a Organon, ampliar o acesso a métodos contraceptivos mais eficazes também representa um avanço em equidade e autonomia feminina.
“Quando falamos de gravidez não planejada, estamos falando de histórias reais, de mulheres que muitas vezes não tiveram acesso à informação ou a métodos adequados para planejar suas vidas. Ampliar o acesso a contraceptivos de longa duração é dar mais autonomia para que cada mulher possa decidir se e quando quer engravidar”, afirmou Tassia Ginciene.

