O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi anunciado como “presidenciável” e reforçou a necessidade de endurecer o combate ao crime organizado durante participação no XIII Fórum de Lisboa, nesta sexta-feira (4/7). O evento, idealizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reúne autoridades de diversos países para debater temas como segurança pública e os impactos da inteligência artificial.
Tarcísio integrou dois painéis: um sobre os novos blocos militares e relações de força internacionais, e outro sobre segurança pública. Durante o primeiro, foi apresentado como uma das figuras políticas com potencial para disputar a Presidência da República em 2026. A declaração foi feita pelo moderador Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa e atual presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). “É inequívoco que o governador de São Paulo é também um presidenciável pelo lado do Brasil”, disse Jungmann.
No painel sobre segurança pública, Tarcísio afirmou que o crime organizado é o maior risco enfrentado pelo país atualmente. Para ele, a atuação criminosa tem se sofisticado, mas as forças de segurança têm respondido à altura. O governador elogiou o trabalho do secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), presente no evento.
“O crime vem se sofisticando muito, mas a boa notícia é que as forças de segurança também vêm se sofisticando. E aí eu quero agradecer o trabalho que vem sendo feito”, afirmou Tarcísio, recebendo aplausos da plateia.
O governador alertou para a infiltração do crime organizado em setores legais da economia, como combustíveis, saúde e mercado financeiro, e defendeu o uso de tecnologia e cooperação internacional para proteger fronteiras e conter essa influência. “Contar com forças armadas equipadas, com tecnologia de ponta, é fundamental para vencer essa guerra”, disse.
Tarcísio também propôs o uso da Justiça Eleitoral para impedir a entrada de membros de facções criminosas na política. Segundo ele, candidatos financiados pelo crime organizado acabam retribuindo o apoio com contratos públicos, permitindo que essas organizações acessem recursos do Estado e atuem como milícias.
Outro ponto destacado pelo governador foi a fragilidade da logística nacional frente ao tráfico. Ele apontou a vulnerabilidade de rodovias, portos e aeroportos, além da dificuldade em controlar as extensas fronteiras do país. “Se não houver uma grande cooperação, a gente não vai ter sucesso”, declarou. Para ele, é preciso “aumentar o custo do crime” para desestimular a atuação de traficantes e facções.
Também participaram dos painéis o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; e os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Marques e Raul Araújo Filho.

