O novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, afirmou nesta quinta-feira (15), em seu primeiro pronunciamento oficial, que o enfrentamento ao crime organizado passará a ser tratado como uma “ação de Estado”. A declaração foi feita durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades.
Segundo o ministro, a proposta é ampliar a articulação entre os diferentes órgãos públicos, envolvendo não apenas o Poder Executivo, mas também o Ministério Público e o Judiciário. Para Lima e Silva, o avanço do crime organizado exige uma atuação conjunta e coordenada de todas as instituições do Estado.
“Houve uma decisão do presidente da República, compartilhada por todos esses atores, de elevar a ação do Estado no combate ao crime organizado. A relevância que esse fenômeno assumiu impõe a necessidade de uma atuação integrada de todos os órgãos”, afirmou.
A posse do novo ministro deve ocorrer ainda nesta tarde, de forma reservada, conforme confirmou o Palácio do Planalto. Wellington César Lima e Silva assume o cargo no lugar de Ricardo Lewandowski, que deixou o ministério na semana passada.
Durante a coletiva, o ministro destacou que, embora a Polícia Federal e a Receita Federal já atuem no enfrentamento ao crime organizado, essas ações, isoladamente, não são suficientes. “Essas instituições não conseguem, sozinhas, viabilizar resultados concretos. Muitas medidas precisam passar pelo Ministério Público e pelo Judiciário para que tenham efetividade real”, explicou.
Lima e Silva participou, pela manhã, de uma reunião no Planalto com o presidente Lula, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. No encontro, foi debatida a necessidade de intensificar estratégias de descapitalização das organizações criminosas.
Segundo Andrei Rodrigues, o foco deve ser atingir o poder econômico do crime organizado. “É preciso alcançar o ‘andar de cima’ do crime, com estratégia, inteligência e planejamento, para resultados efetivos e duradouros”, afirmou.
O novo ministro também citou as recentes investigações sobre fraudes no Banco Master como um dos temas tratados na reunião e garantiu que o Estado não se furtará a enfrentar esse tipo de crime.
Com a saída de Lewandowski, voltou ao centro do debate a possibilidade de divisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com setores defendendo a criação de um ministério exclusivo para a área de segurança.
Wellington César Lima e Silva já ocupou o cargo de ministro da Justiça durante o governo Dilma Rousseff e, mais recentemente, foi secretário de Assuntos Jurídicos da Presidência da República e advogado-geral da Petrobras. Ele também teve atuação destacada no combate ao crime organizado quando foi procurador-geral de Justiça da Bahia.

