Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que, em apenas dois anos, 17,4 milhões de brasileiros saíram da pobreza e passaram a integrar as classes A, B e C, número equivalente à população do Equador. A pesquisa utilizou dados da PNADC entre 1976 e 2024 e indica uma aceleração significativa da ascensão social no período recente.
Entre 2022 e 2024, o ritmo dessa mobilidade foi 74% mais rápido do que o registrado entre 2003 e 2014, outro momento de forte crescimento social no país. Nesse intervalo, a participação das classes A, B e C aumentou 8,44 pontos percentuais, com parcela expressiva formada por beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
De acordo com o diretor da FGV Social, Marcelo Neri, a renda do trabalho foi o principal motor dessa transformação. Ele destacou que políticas como a regra de proteção do Bolsa Família estimularam a formalização do emprego, simbolizada pelo aumento das carteiras assinadas entre pessoas que ascenderam socialmente.
Os dados também mostram que 2024 registrou o maior nível histórico de participação das classes A, B e C desde 1976, somando 78,18% da população. A classe C concentrou 60,97%, enquanto as classes A e B representaram 17,21%. Em contrapartida, as classes D e E atingiram os menores patamares já observados.
Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, os resultados refletem a força das políticas sociais aliadas ao crescimento econômico, geração de empregos e estímulo a pequenos e médios negócios. Segundo ele, o aumento da renda e do consumo entre os mais pobres impulsiona um ciclo contínuo de desenvolvimento econômico e social no país.

