Ainda bem que o senador Renan Calheiros e o deputado federal Arthur Lira não mais viajarão num mesmo avião com destino à China. O clima entre os dois atingiu a toxicidade máxima nesta semana, com declarações de Renan respondidas no mesmo tom por Lira.
Por óbvio, estrategicamente, não é o somente o ódio que move os dois jogadores de xadrez – como dizem os atletas de futebol, os sentimentos eles deixam para as torcidas. Calheiros e Lira se movem pelo tabuleiro no sentido de manter ou mesmo aumentar seus espaços políticos na capital federal.
Calheiros chamou Lira para a briga numa questão meramente burocrática – o rito de tramitação das MPs nas duas casas. Lira poderia ter mandado recado, não ter se envolvido diretamente, mas entrou na conversa porque viu ali uma oportunidade de crescer – e óbvio, de diminuir o seu inimigo (é este o estágio da relação entre os dois).
O rito das MPs fatalmente vai seguir o que rege a constituição, mas quem perde com essa briga é Lula – que no fundo, queria ver os dois aliados abraçados ao governo. Mas é justamente esse o problema, onde Renan entra, Lira sai.
Quando Calheiros atiça Lira, é justamente pelo desejo de afastá-lo de Lula; e quando Lira responde, é justamente para dar o recado a Lula que enquanto Renan estiver por perto, ele não estará – e isso tem consequências para um governo que não tem forte apoio popular.
O que fica cada vez mais evidente é que as palavras de Calheiros ferem Lira. E que quanto mais elas ferem, mais Lula sofre. Numa coletiva na quinta (23), Arthur foi o mais claro possível: “se o governo quiser seguir o que diz o senado, vai assumir o risco de ver suas pautas serem derrotadas”. Mais objetivo, só se batesse na cara.
Com a saúde debilitada, Lula vai dar um tempo este fim de semana. Quem sabe com o celular desligado por uns dias, o presidente sinta a temperatura política dos aliados baixar. “Bendita pneumonia”.
Fonte – Bastidores / 7 Segundos

